Xangai recebeu a 12ª edição da Intertextile, a maior feira têxtil da China (e provavelmente a maior do mundo), permitindo a mais de 50 mil visitantes conhecer as colecções de mais de 2.000 expositores de 25 países, distribuídos por 80 mil metros quadrados – representando um crescimento da feira de 32% relativamente a 2005. Logo na entrada do Pavilhão 1, ao lado da Swarovski, uma das maiores empresas de Acessórios - a Messe Frankfurt, organizadora do certame, anunciara para esta edição uma grande aposta neste segmento – e do pavilhão colectivo de Itália, a Associação Selectiva Moda (ATP e ANIL, com o apoio do Icep), colocou estrategicamente as 7 empresas que representaram a comitiva portuguesa: o grupo Paulo de Oliveira, com as empresas Paulo de Oliveira, Tessimax e Nova Penteação, a Tebe, a LMA, a Gierlings Velpor e a TMG. Katy Lam, responsável pelas operações da Messe Frankfurt na Ásia, quando questionada em conferência de imprensa sobre a dimensão de alguns pavilhões de determinados países, frisou que mais importante do que a quantidade é a qualidade dos artigos apresentados, destacando o exemplo de Portugal. «O facto desta feira receber uma procura mundial, o facto da significativa procura chinesa já ser mais qualificada e exigente na sua escolha, aliados ao facto da Messe ter criado na edição anterior um dia por convite e haver agora alguma selecção, levou-nos a repetir esta aposta, que se revelou proveitosa, embora falte confirmar quantos dos pedidos que levamos daqui são encomendas efectivas», adiantou José Melo, director comercial da TMG. «Tivemos muitos contactos novos, embora apenas posteriormente se veja se as encomendas se concretizam; mas estamos muito satisfeitos com o número de visitantes», acrescenta Paulo de Oliveira, em sintonia com a TMG. Helena de Matos, responsável pela I&D da Tebe, referiu que «temos muitas vantagens em vir a esta feira, pois todos os anos nos tem dado novos clientes. O potencial do mercado chinês é mesmo muito significativo». Trocado Ferreira, CEO da Gierlings Velpor, salienta que a feira lhe permite para já assegurar a manutenção da sua carteira de clientes destas paragens, uma aposta partilhada pela LMA, segundo a sua directora, Lina Araújo. Para lidar com a falta de profissionalismo dos agentes, a directora Katy Lam pede alguma paciência, pois estamos «num mercado onde o jovem capitalismo, desenfreado, envolve o aparecimento quase diário de novos operadores no mercado, obrigando a uma triagem mais difícil, e a uma fase de teste que pode levar alguns anos até encontrar uma boa solução». O recente investimento deste país no sector têxtil e a parca formação dos chineses nesta área aumentam este desafio, atenuado por quem já operava neste mercado, como no caso da TMG que já desembarcou na China há 20 anos. As empresas portuguesas e a Selectiva Moda concordam na pertinência da continuidade desta aposta, que se repetirá em Outubro de 2007. PV Shanghai mais reservada O edifício histórico Shanghai Exhibition Center, no centro de Xangai, recebeu, a 27 e 28 de Outubro, a 6ª edição da Première Vision (PV), com a participação de 58 empresas (menos 30% do que na edição anterior), entre as quais as portuguesas Arco Têxteis, TMG e Riopele. Logo no primeiro dia, Daniel Faure, presidente do Conselho de Administração da PV, estava visivelmente satisfeito com a adesão a esta edição, dado que «no primeiro dia tivemos tantos visitantes quanto nos dois dias da anterior edição». Referiu que a grande maioria dos visitantes é chinesa (90%), e que a presença portuguesa na PV é de qualidade, mas «não é suficientemente forte», num implícito convite às outras empresas portuguesas que apostam nestas paragens. Quando questionado sobre a melhor forma de operarem neste mercado, o presidente refere que «têm de vir cá muitas vezes, não é só durante os dias da feira». «Neste período a cidade de Xangai está povoada de europeus, mesmo antes e depois da feira, o que confirma as potencialidades deste mercado, e que os chineses procuram cada vez mais moda europeia, assim como moda chinesa, que começa a ganhar forma», complementa o presidente. António Amorim, administrador da Arco Têxteis, estava igualmente satisfeito com a afluência a este certame, cuja maior vantagem é a sua base de dados de clientes «que são não só potencialmente bons clientes, como sabem importar a partir da China, o que me parece ser um dos aspectos de maior relevância para quem opera neste mercado. O facto de muitas empresas se queixarem que os negócios com a China muitas das vezes não se concretizam tem a ver sobretudo com os problemas de quem não sabe importar da Europa», refere. Para o administrador, além desta vantagem deverá salientar-se «a base de dados de agentes que também é disponibilizada pela PV e a aposta que esta organização faz na imagem». Para a Riopele, esta edição também foi muito compensadora, dada «a grande afluência no stand, tal como já tinha acontecido em Paris», salienta Manuel Mourão. «A presença na PV será para continuar», acrescenta. Já a TMG equaciona a continuidade da presença na feira, «dada a redução de expositores no certame e a pré-selecção realizada, que torna a procura também um pouco mais limitada», refere o seu director comercial, José Melo.










