PCIAW estreou-se em Portugal

A cimeira da PCIAW saiu, pela primeira vez, de Londres e aterrou na cidade do Porto para a sua edição de 2023, que contou com produtores e compradores de vestuário profissional provenientes de 24 países.

Subordinado ao tema “A nova trajetória”, o evento organizado pela Professional Clothing Industry Association Worldwide (PCIAW) saiu pela primeira vez de Londres e, de certa forma, regressou a casa, confessou a fundadora e CEO Yvette Ashby, no discurso de abertura. «Foi no Porto que eu e o César Araújo [administrador da Calvelex e presidente da ANIVEC] delineamos o plano de negócio da PCIAW», revelou.

Yvette Ashby

A associação junta fornecedores e compradores de vestuário profissional e «cobre toda a fileira, desde a fibra», salientou John Miln, presidente do conselho de administração da PCIAW, que anunciou, nesta cimeira, a sua reforma. «Estou imensamente orgulhoso do que conseguimos com a PCIAW, mas agora é a altura certa para uma mudança, para uma rotatividade natural que se enquadra na boa governança da PCIAW. Trabalhei na indústria durante mais de seis décadas e é tempo de usufruir da minha reforma e da minha família», justificou, deixando um apelo à união e à continuação do trabalho. «Só quando trabalhamos em conjunto podemos ser uma força coletiva», afirmou.

John Miln

Com 24 países representados nesta edição da cimeira, Yvette Ashby destacou o papel da PCIAW e das empresas que a compõem. «O que fazemos aqui não é apenas um negócio, é para salvar a vida das pessoas», sublinhou, lembrando a altura da pandemia, em que os governos precisaram de recorrer às empresas desta área para saberem mais. «E por isso, continuem na trajetória da inovação, precisamos de tudo o que pudermos fazer, a nossa vida depende disso», asseverou.

Nesta «primeira edição na UE», como realçou John Miln, o foco esteve não só nas inovações, mas também na antecipação de tendências, análise do mercado e na transição para a sustentabilidade, sendo esta última uma área que, segundo alguns, está a evoluir rapidamente, mas que «não está a avançar suficientemente rápido», considera Yvette Ashby.

Como referiu César Araújo aos participantes, «estamos aqui para melhorar e aprender. Ao unirmo-nos e partilharmos as melhores práticas, podemos conseguir tudo», nomeadamente a tão falada transição para a circularidade, até porque «se há uma coisa que aprendi ao longo de todo este tempo na indústria têxtil e do vestuário é que a inovação e resiliência é a força nos faz quebrar barreiras e chegar mais longe».

César Araújo

O evento, que contou ainda com uma entrega de prémios e a visita, no primeiro dia, a várias empresas portuguesas que trabalham nesta área – nomeadamente Calvelex, Carité, Lameirinho, Marfel, MGC, Polopiqué, Riopele e Trotinete –, organizada pela ANIVEC – Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confeção, pode ainda abrir portas à divulgação do made in Portugal, acredita César Araújo. «Pela primeira vez em Portugal, temos este evento internacional de vestuário de trabalho. É inédito. A ANIVEC trouxe a cimeira da PCIAW porque os empresários portugueses têm que ganhar negócios. É preciso estar presente. Os clientes já não vão bater à porta. Hoje temos de ser proativos e temos de estar nas instituições. E quando estamos nas instituições, temos de criar valor a essas instituições, temos de ser respeitados e temos de, ao mesmo tempo, contribuir para promover o nosso mercado, porque Portugal é dos países mais sofisticados em termos tecnológicos e de inovação e, se a Europa é líder mundial na moda, Portugal tem de ter uma palavra nessa liderança. O que a ANIVEC quer fazer é isso mesmo: é pôr Portugal na primeira linha dessa liderança. Com esta cimeira, Portugal vai ficar nos radares a nível mundial», acredita.