Paz nos negócios têxteis

Os empresários israelitas afirmam que os conflitos pouco impacto têm na indústria do vestuário e que as empresas procuram sempre cumprir os seus compromissos para com os clientes. «O número das fábricas afectado é muito pequeno», garantiu Dan Catarivas, director do Departamento Internacional da Associação dos Fabricantes de Israel. «A maioria das fábricas trabalha à sua máxima velocidade».De igual modo, Dov Lautman, fundador e presidente da Delta Galil Industries, declarou que «no geral, estamos a trabalhar como habitual». A empresa, um dos principais fabricantes mundiais de underwear, com clientes de renome como Calvin Klein, Hugo Boss, Nike, Marks & Spencer e Ralph Lauren, está igualmente a trabalhar à sua capacidade máxima, com três turnos por dia, nas suas fábricas situadas na Jordânia e no Egipto. «Estamos a mostrar a toda a gente que o negócio contínua igual ao habitual e que as entregas se realizarão no tempo previsto», acrescentou Lautman.Uma mensagem igualmente positiva é dada por Ofer Gilboa, CEO do fabricante de fatos Bagir Ltd, que afirmou: «as nossas unidades de produção e de distribuição não foram praticamente afectadas. As encomendas de produtos continuam a fluir através dos clientes que temos no mundo inteiro, não obstante a situação actual».As exportações são uma base da indústria do vestuário israelita por causa do pequeno mercado doméstico, portanto manter as entregas é um dos principais objectivos. As exportações de vestuário israelita cifraram-se, em 2005, em mais de mil milhões de dólares, e no primeiro semestre de 2006 ascendiam já a 545.9 milhões de dólares. Os Estados Unidos são um dos principais destinos das exportações do país, com entregas entre Janeiro e Maio de 2006 a rondarem os 218,3 milhões de dólares.Danos circunscritosAs hostilidades entre Israel e o Líbano começaram de forma inesperada a 12 Julho, e as lutas estiveram predominantemente concentradas no Sul do Líbano e no Norte de Israel.De acordo com Catarivas, cerca de 20 a 30% das empresas têxteis e de vestuário israelitas estão localizadas no Norte do país. Os mísseis lançados pelo Líbano atingiram o porto de Haifa, em Israel e as suas áreas circunvizinhas mais duras, mas outros alvos incluíram Nazareth, Tiberius e Afula.A destruição no porto de Haifa – que logo reabriu em parte para segurar alguns navios – foi minimizada redistribuindo entregas para Ashdod, o porto de menor carga, no Sul do país, que trabalhou sem parar de forma a absorver o tráfego. «Conseguimos desviar parte das entregas para outros portos em Israel», explicou Gilboa. «Mesmo nas épocas difíceis investimos em todas e mais algumas necessidades logísticas adicionais, para assegurar que os nossos clientes recebem devidamente os seus produtos».Por outro lado, as infra-estruturas de Israel parecem relativamente intactas. Os voos de e para Israel estão a funcionar sem interrupções e, tal como Catarivas adiantou, serviços como operações bancárias estão inteiramente operacionais.Mesmo a empresa de negócios e informação Dun & Bradstreet afirmou que a avaliação do seu crédito de risco para negociar com as empresas Israelitas continua inalterado, e recomenda o negócio com as empresas israelitas que usam letras de crédito comerciais.Em relação à economia, Israel conseguiu suportar o conflito muito melhor do que muitos dos seus países vizinhos. Também já está bastante habituado a tratar de tais emergências, «infelizmente», como Catarivas explicou, «porque estamos habituados a isso».Contingências operacionaisAlgumas das contingências implementadas pela Delta Galil incluem instalações para crianças em abrigos, para que as mães possam ir trabalhar nas quatro fábricas da empresa. «Desde o primeiro dia que temos trabalhado sem problemas», assegurou Lautman. «Os dias não são normais, mas no que diz respeito à fonte, à produção, às entregas e à comunicação com os clientes, mantemos a normalidade nos negócios».à semelhança de muitas empresas têxteis e de vestuário israelitas, a Delta Galil deslocou algumas de suas actividades mais intensivas para os países vizinhos, tais como Jordânia e Egipto, onde os salários são substancialmente mais baixos. Esta estratégia significa também que a produção pode ser comutada a outras unidades de produção da empresa em função das necessidades.Com os seus centros de design e de desenvolvimento em Israel, o Delta Galil emprega 1.600 pessoas, que fabricam peúgas, tecidos, tricotam e tingem. A confecção é realizada nas têm 5.000 trabalhadores.De igual modo, a Bagir conseguiu minimizar os seus riscos deslocando a produção para outras instalações de diferentes países, incluindo também a Jordânia e o Egipto. A empresa também tem bases de produção na Roménia, Ucrânia, Itália, China e Vietname, onde faz fatos de homem e senhora para clientes como a Marks & Spencer e a JC Penney. «Deste modo, estamos em posição de garantir a produção das encomendas dos nossos clientes de uma forma ou de outra», sustentou Gilboa.A única nota de cuidado vem de Catarivas, da associação dos fabricantes, assinalando que uma escalada ou expansão do conflito para além de Haifa e da região Norte poderia ter abalado mais a confiança do negócio. «As consequências dependem sobretudo do tempo da crise. Quanto maior é a sua duração, mais impacto tem na economia», revela.Em todo o caso, parece que os clientes estrangeiros continuam a acreditar na força da indústria, da economia e dos exportadores israelitas – e que as empresas de vestuário sabem dar resposta, mesmo em tempos de guerra.