Paulo de Oliveira cresce na sustentabilidade

Conforto, funcionalidade e sustentabilidade são os conceitos enraizados na mais recente coleção da especialista em tecidos laneiros, que está a investir em tecnologia para criar produtos inovadores em consonância com a economia circular.

Paulo Augusto Oliveira

As propostas para a primavera-verão do próximo ano mantêm-se fiéis ao foco da Paulo de Oliveira. «Somos sempre muito fortes em tudo o que são tecidos confortáveis e funcionais. Essa é sempre uma das nossas prioridades», sustenta Paulo Augusto Oliveira.

Misturas de lã com linho, cores claras e tons pastel e tecidos pensados para casacos mais casuais destacam-se. «É uma coleção que está a agradar muito e a ter sucesso», indica o administrador da empresa, que acredita que a coleção vai ser uma aposta bem-sucedida. «O mercado arrefeceu um bocadinho, mas acho que temos uma oferta fantástica», salienta Paulo Augusto Oliveira.

O ano passado, foi, segundo o administrador, «um ano muito bom», com um «crescimento forte», resultado, em parte, da recuperação pós-covid. «O nosso sector sofreu mais na pandemia. No pós-pandemia, sentiu a recuperação. Noutros sectores aconteceu o contrário. É normal», constata.

2024, por seu lado, «continua bem», contudo «está mais tranquilo», reconhece Paulo Augusto Oliveira, até porque as comparações são difíceis. «O ano passado foi um exagero, foi uma exceção», sublinha.

A empresa está envolvida no PRR Lusitano, tendo praticamente cumprido os investimentos a que se propôs. «Daquilo que é o âmbito exclusivo da Paulo de Oliveira, está praticamente tudo contratualizado. Até ao fim do ano, em princípio, finalizamos todos os investimentos que estavam previstos até 2025. Estamos um ano à frente», afirma Paulo Augusto Oliveira.

Estes investimentos estão essencialmente focados na área da sustentabilidade, incluindo «novos produtos da economia circular», mas não só. «Há também bastantes investimentos em tecnologia, sobretudo nas áreas da fiação e tinturaria. Estamos a renovar e a criar mais valências para poder fazer esses produtos», refere o administrador da Paulo de Oliveira. «Está quase tudo comprado. Parte das máquinas já estão instaladas. As restantes estão para chegar nos próximos meses, até ao fim do ano», assegura.

A Paulo de Oliveira está igualmente atenta à legislação para a sustentabilidade que deverá ser aprovada na União Europeia. «Gostaria que essa legislação tivesse uma componente muito mais importante relativamente à pegada de carbono e acho que estamos a ir sobretudo através da área dos materiais e dos reciclados e da economia circular. E não basta», acredita Paulo Augusto Oliveira. O administrador realça que «temos de ter um controlo muito mais apertado na mercadoria que entra na comunidade europeia, porque, ao introduzir esses produtos externos na economia circular, podemos estar a incluir na reciclagem produtos que sejam, por exemplo, prejudiciais para a saúde. Se não houver um controlo nas entradas, ao reciclar esses materiais, vai tudo entrar na cadeia novamente. Parece-me que não estamos a ser suficientemente abrangentes naquilo que a comunidade poderia fazer, nomeadamente no controlo da pegada ambiental e no controlo das entradas para assegurar que, depois, não vamos reciclar produtos que não têm qualidade».

Até porque «não faz muito sentido estarmos preocupados em reciclar o produto e, ao mesmo tempo, estar, se calhar, a fazer o produto em condições sub-humanas, em locais onde se estão a utilizar matérias químicas que são cancerígenas ou que estão a danificar o ambiente. Portanto, o discurso tem de ser mais abrangente», resume o administrador da Paulo de Oliveira.