Paris, Fátima Lopes e Portugal Fashion

Na passada semana, Paris recebeu o desfile colectivo do Portugal Fashion (PF) e o individual de Fátima Lopes, para a apresentação na Semana da Moda de Paris das colecções para o Outono/Inverno 2002/2003 dos criadores nacionais, e o semanário Expresso apresentou este balanço na sua última edição. Fátima Lopes decidiu enveredar sozinha pelos caminhos que a moda portuguesa percorre, e para isso desembolsa à volta dos 100 mil euros, o que representa um gasto anual de 200 mil euros anuais já que o desfile é feito duas vezes por ano. Por esta razão, muitos designers preferem os desfiles em grupo já que o investimento é bem menor. O desfile da Fátima Lopes durou cerca de 10 minutos mais do que o desfile do Portugal Fashion e encantou o público presente não só pelos modelos, como pelas modelos. O desfile da criadora madeirense, foi banhado pelo som brasileiro e levou o sabor português à cidade da luz. O PF tem como objectivo divulgar a roupa «made in Portugal» e principalmente aumentar a competitividade da indústria de têxtil e vestuário portuguesa além fronteiras. Um dia depois do desfile de Fátima Lopes, subiram ao palco os estilistas do PF. Buchinho, Concreto, Katty, Miguel Vieira e a dupla Cravo/Baltazar são os designers que viajam com o Portugal Fashion. Os aplausos soaram forte para a dupla Paulo Cravo e Nuno Baltazar, que está a revolucionar a cadeia de lojas da Charles. O desfile dos designers transportou a plateia para um ambiente intensamente dramático e romântico, sublinhado pelas lágrimas tatuadas na cara das manequins. A colecção de Miguel Vieira – criador português que mais factura – voltou-se novamente para as cores predilectas do designer, o preto, o cinza e alguns brancos e rosas velho. O estilista aproveitou a ocasião para fazer desfilar todos os seus acessórios, desde luvas e óculos de sol. Luís Buchinho deixou a Jotex de lado para apresentar a sua própria colecção, onde predominavam o preto, o azul marinho. A Concreto, com uma colecção desenhada por Ana Fernandes e Susana Santos, trouxe de volta os anos 70. Por fim, Katty Xiomara, que no âmbito de uma parceria com a TRL desenhou uma colecção de fatos de banho marca Xiomar e de roupa desportiva com a marca Fugas, levou a cor rosa ao Inverno parisiense. As diferenças entre os desfiles de Fátima Lopes e do Portugal Fashion passam pela organização e chegam à passarela. Enquanto o Portugal Fashion prima para organização, talvez até um pouco exagerada, Fátima Lopes peca pela falta desta. Nas palavras de Jorge Fiel, jornalista do jornal semanal Expresso, “a diferença foi da noite para o dia. Se fosse casa, o desfile de Fátima Lopes era um «loft» no boémio Marais e o Portugal Fashion um espaçoso, clássico e sólido apartamento no 7e Arrondissement”.