Parceria bem-sucedida na MGC

A joint-venture que junta a britânica Carrington com a portuguesa TMG produz atualmente 20 milhões de metros de tecido por ano, 75% dos quais para vestuário de proteção, numa altura em que prepara investimentos numa nova tecnologia.

[©Carrington Textiles-MGC]

Numa área de 22 mil metros quadrados e com cerca de 170 trabalhadores, a MGC faz o tingimento e acabamento de tecidos com propriedades como retardantes de chama, proteção anti-insetos e resistência a nódoas.

A unidade foi criada em 2017, numa decisão pensada, segundo Paul Farrell, diretor comercial e de marketing da Carrington, para fazer face à iminência de um Brexit, que acabou por acontecer no final de 2020.

«Já trabalhávamos com a TMG há muitos anos. Decidimos que precisávamos de uma vantagem competitiva natural face a um potencial Brexit “duro” e fizemos a joint-venture na altura», justifica. «Foi a melhor decisão que tomámos. Dá-nos uma base de produção na zona económica europeia, o que significa que podemos responder a todas as necessidades dos clientes europeus», acrescenta. A Carrington tem ainda uma fábrica no Reino Unido e uma outra no Paquistão, acumulando uma capacidade produtiva de 130 milhões de metros por ano, com vendas dispersas por 80 mercados.

José Melo

Até há pouco tempo, a MGC, que tem 75% da sua produção dedicada aos tecidos para vestuário de trabalho e proteção, fazia o acabamento também de malhas nas mesmas instalações em Ronfe, mas, revela José Melo, diretor-geral da empresa, essa área foi transferida para outro local devido a um novo investimento que está a ser ponderado. «Em Portugal será uma tecnologia nova, para novos projetos», avança ao Jornal Têxtil, acrescentando que «estamos a terminar as negociações com o fornecedor da tecnologia»

Em termos de clientes, a Carrington, a TMG e a Melchior, «uma empresa que a MGC detém, que opera no mercado alemão e nórdico», são os três principais clientes. «Com isto não quer dizer que não façamos serviços de acabamento a feitio que vêm já historicamente com outros clientes. Continuamos a fazê-lo, só que o peso desses clientes passou a ser infinitamente pequeno comparado com resto», sublinha José Melo.

Sustentabilidade nas preocupações

A empresa tem feito vários investimentos, incluindo numa caldeira de biomassa, com certificação de neutralidade em carbono, que entrou em funcionamento em janeiro deste ano e que permite produzir 12 toneladas de vapor por hora, o que corresponde a 95% do vapor necessário. A MGC tem ainda painéis solares, que deverão ser reforçados, e aguarda autorização para usar diretamente energia hídrica, que atualmente produz e vende à rede. Quando todos estes sistemas estiverem em funcionamento para consumo interno, deverão permitir que a empresa seja 70% autossuficiente, indica José Melo.

Paul Farrell

Quanto ao negócio em 2023, na Carrington – que nos PCIAW Awards foi distinguida na categoria inovação em fibras e tecidos por um tecido para a área militar que combina durabilidade de alta performance com elevado conforto e flexibilidade – as expectativas são de manutenção do volume de negócios. «Com uma diferente combinação, as nossas vendas vão manter-se mais ou menos estáticas, mas temos tido bom crescimento em alguns sectores», aponta Paul Farrell.

Também na MGC, em particular, o cenário será semelhante. «O facto de estarmos com a nossa carteira de encomendas dividida por estes clientes e nestas várias áreas de trabalho acaba por nos salvaguardar de um impacto maior», acredita José Melo, que antecipa «um ano de manutenção perante uma situação de crise que tem vindo a acontecer desde o covid. Temos tido uma consolidação e não necessariamente um crescimento desde a pandemia». No entanto, destaca o diretor-geral da MGC, «todas as ações que temos feito, parte delas apresentadas na visita, tendem a contrariar e a fazer minorar o impacto destas crises e a diferenciar-nos no mercado».

[©Carrington Textiles-MGC]