Países podem seguir modelo francês na fast fashion

A legislação aprovada na Assembleia Nacional francesa para taxar a moda pouco ecológica poderá ser seguida por outras nações, nomeadamente Irlanda e Austrália, onde há já pressão para que aconteça o mesmo.

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Depois da legislação francesa, a aguardar aprovação do Senado, para taxar em até 10 euros as compras de fast fashion, outros países poderão seguir a mesma via e criar legislação para promover a transparência e responsabilidade no sector, segundo o Just Style.

Louise Deglise-Favre, analista de vestuário na GlobalData, indicou ao Just Style que embora a proposta de lei francesa tenha ainda de ser definitivamente aprovada – o que irá exigir clarificação sobre os detalhes e viabilidade de aplicação – há outros países que poderão avançar no mesmo sentido.

«A regulamentação para combater problemas de sustentabilidade na indústria da moda está, cada vez mais, a tornar-se prevalente, por isso não seria surpreendente que outros países implementem a sua própria legislação», indica.

Na Austrália, há quem acredite que o país pode estar a seguir o exemplo de França. «Agora, mais do que nunca, a sustentabilidade dos produtos está a ter um grande peso nas decisões de compra dos consumidores», afirma Marie Kinsella, CEO da empresa de organização de feiras International Expo Group. «Atualmente, os reguladores estão a introduzir legislação abrangente de transparência e devida diligência da cadeia de aprovisionamento, resultando numa nova era de responsabilidade corporativa a que as marcas terão de aderir», acrescenta. «A evolução da moda consciente está a chegar», resume Marie Kinsella.

Na Irlanda, o presidente da Charity Retail Ireland, uma associação de lojas de associações de caridade no país, já pediu à Irlanda para seguir o exemplo de França. Na sua página no LinkedIn, Mark Sweeney afirmou que é necessária uma ação decisiva para responder à fast fashion.

Os consumidores na Irlanda compram mais de 50 quilos de têxteis por pessoa por ano, quase o dobro da média europeia de 26 quilos. Os artigos de fast fashion podem ser difíceis de revender pelas lojas de associações devido ao seu preço baixo quando ainda são novas.

Sweeney descreveu a legislação francesa como «um raio de esperança», acrescentando que «está na hora de reimaginar a moda como uma fonte de alegria e expressão, em vez de um contribuidor para a exploração e a degradação do ambiente».

Para Louise Deglise-Favre, mesmo com potenciais alterações ou esclarecimentos adicionais à legislação francesa de fast fashion ou ao resultado geral do projeto de lei, a sua introdução desencadeou efetivamente uma tendência.

«Independentemente do seu resultado, o projeto de lei abre uma discussão mais ampla sobre a responsabilidade dos governos, marcas e consumidores no combate ao impacto ambiental da indústria da moda», considera. «A proposta também estabelece claramente a sua intenção de se tornar o modelo para regulamentações europeias mais abrangentes, dando a indicação que, se aprovada, provavelmente levará outros países a implementar leis semelhantes. Em todo o caso, os intervenientes da fast fashion devem garantir que continuam a melhorar as suas credenciais de sustentabilidade e transparência, uma vez que deverão surgir regulamentações adicionais na Europa num futuro próximo», conclui.