O relatório “A Feasibility Study for a Nordic Circular Wool Value Chain”, conduzido pela Axfoundation em parceria com a Norion Consult, estima que a Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia produzem, em conjunto, cerca de 5.900 toneladas de lã por ano, das quais 2.400 são queimadas ou descartadas, apesar do seu potencial de utilização em fios, tecidos, isolamento e aplicações acústicas. Em paralelo, a região importou, em 2024, um total de 6.543 toneladas de lã não processada e fio de lã.
«Existe um mito persistente de que a lã nórdica é de baixa qualidade, mas o verdadeiro problema são as lacunas no sistema. Carecemos de métodos comuns para classificar e tratar a lã em toda a região, pelo que grandes volumes nunca entram na cadeia de valor. Ao combinar a lã certa com o produto certo, podemos libertar o valor de um recurso de base biológica já existente», afirma Johan Sidenmark, gestor de projeto da Nordic Wool Initiative na Axfoundation.
Entre os principais obstáculos identificados estão a ausência de normas de classificação comuns, a escassez de centros de recolha e a capacidade limitada de lavagem e processamento. A situação varia entre países, sendo que a Finlândia e a Dinamarca descartam entre 70% e 80% da sua produção, enquanto a Islândia aproveita quase toda a lã. A Noruega destaca-se como o único país com um acordo estatal para o setor, ao abrigo do qual os criadores são compensados pela entrega da lã para classificação, o que permite recolher cerca de 90% da produção nacional. Na Suécia, melhorias recentes, como a introdução de uma norma nacional de classificação, começam a reduzir a taxa de desperdício que historicamente ultrapassava 50%.
O estudo conclui que a subutilização da lã representa uma perda anual de cerca de 120 milhões de euros e que um mercado mais integrado poderá reduzir a dependência de importações e reforçar a competitividade da indústria regional.
«A nossa análise mostra que existe uma quantidade substancial de lã com forte potencial industrial, mas não existe uma cadeia de valor eficiente que possa tornar a lã nórdica competitiva. A estrutura fragmentada em toda a região dificulta a redução de custos e a obtenção de escala. Como resultado, apesar das claras oportunidades de negócio, tanto o valor económico como uma longa tradição de utilização regional da lã estão a ser perdidos», sublinha Dina Bekkevold Lingås, consultora sénior da Norion Consult.
Johan Sidenmark reforça que é necessário «dar um verdadeiro salto em frente no setor da lã nos países nórdicos e criar as condições para um mercado comum. Isto requer instrumentos políticos, tais como acordos sobre a lã que compensem os criadores de ovinos por toda a lã, uma norma nórdica comum para a lã, em que a norma sueca possa servir de base, e investimentos em infraestruturas para eliminar os estrangulamentos», afirma.
Para colmatar as lacunas nas infraestruturas, está a ser desenvolvida uma unidade em Sörforsa, na região sueca de Hälsingland, destinada à recolha, triagem, lavagem e transformação de lã proveniente da Suécia e, numa fase posterior, de toda a região nórdica.
O relatório propõe ainda a criação de uma cadeia de valor circular integrada, assente em centros de recolha regionais, instalações descentralizadas de lavagem de pequena escala e uma norma de classificação nórdica comum.



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