Ao longo de mais de dois anos, o retalhista britânico Marks & Spencer (M&S) tem registado uma trajectória aparentemente imparÁvel, com nove trimestres consecutivos de crescimento nas vendas que resultaram no alcançar da fasquia dos mil milhões de libras esterlinas de lucros antes de impostos. Mas quando no dia 9 de Janeiro foram apresentados os resultados do último trimestre de 2007, tudo ficou em suspenso. A M&S revelou uma queda de 2,2% nas vendas do trimestre, ao longo das 13 semanas até ao dia 29 Dezembro, e avisou que as difíceis condições comerciais são susceptíveis de persistir ao longo de 2008 e mesmo em 2009. Os dados publicados pelo British Retail Consortium (BRC) parecem apoiar os comentÁrios do presidente executivo da M&S, Stuart Rose, ao afirmar que as condições do mercado se tornaram mais concorrenciais ao longo dos meses de Novembro e Dezembro. O BRC referiu que os retalhistas tiveram o seu pior Natal dos últimos três anos, sugerindo a possibilidade de mais dificuldades à medida que as subidas nas taxas de juro começam a ser sentidas em muitos lares. No entanto, a preocupação dos analistas prende-se com o facto de, apesar das remodelações de mil milhões de libras esterlinas realizadas nas suas lojas e na grande campanha publicitÁria realizada, as vendas da M&S ficaram abaixo das expectativas. Na generalidade dos artigos, que incluem o vestuÁrio e o calçado, as vendas da M&S caíram 3,2% (considerando o período homólogo), valor que fica abaixo da média do mercado. Os analistas reagiram aos resultados com um corte de 7 a 9% nas previsões de lucro da M&S para 2008 e chegando aos 20% para o período 2008/09, descrevendo os últimos números como “terríveis” e “chocantes”. Mas serÁ que isto significa que chegou a altura da M&S considerar uma mudança de estratégia? Stuart Rose é peremptório ao considerar que os resultados escondem diversos pontos positivos para o retalhista, os quais irão ajudar a ultrapassar os próximos 12 meses de turbulência. Entre estes aspectos positivos, Stuart Rose refere que o trimestre gerou o maior aumento de volume de vendas dos últimos seis anos, sendo vendidas mais mercadorias a um maior número de clientes; que as vendas on-line aumentaram 78%; e que ao nível internacional também registou um bom desempenho, com as vendas a subirem 15,1% durante o período. Rose considera que os retalhistas britânicos, em geral, estão a enfrentar uma fase crítica, onde os custos, como combustível e energia, continuam a subir, mas o fraco consumo impossibilita-os de aumentar os preços. No entanto, o verdadeiro receio estÁ na possibilidade da M&S se encontrar numa posição de onde não possa escapar, pelo menos no curto prazo, em que os custos adicionais associados com a abertura de novos espaços comerciais, em conjunto com uma tendência decrescente nos preços, continue a comprimir as margens e a corroer a sua quota de mercado.










