Paciência e Produto»

A ANIVEC/APIV e o ICP deram mais um passo na promoção da internacionalização das empresas portuguesas, proporcionando a presença de 14 marcas na 26ª edição da CIFF- Copenhagen International Fashion Fair, 9 a 12 de Fevereiro, a feira que se propõe ser a porta de entrada nos mercados da Escandinávia. A Dinamarca conta com 5,8 milhões de habitantes, sensíveis a artigos-moda e quaisquer sinais de criatividade, e a sua capital agrada aos 3 países escandinavos vizinhos, escolhendo-a frequentemente para a experiência de compras, o que quadruplica a probabilidade de se encontrar o pretendido agente ou cliente para aquelas paragens. Não se sentia a insegurança amplamente divulgada pela questão dos cartoons, nem a vaga de frio da semana anterior, auspiciando um bom ambiente de negócios. Esta edição registou um recorde de visitantes, ultrapassando pela primeira vez os 30 mil, num aumento de 16% em relação à edição anterior, com especial destaque para o aumento de 25% dos países extra-Escandinávia, particularmente da Rússia e dos novos membros da UE naquela região. Esta iniciativa teve a singularidade das 10 marcas (empresas) de roupa de criança –Abobrinha (Babex), Dr. Kid (Inarbel), Atlanta Mocassin (Portocouro), FS Confecções, Caracol (Fun Baby), Keit (Sacole), Laranjinha (Hall & Cia), Valti, Makao (Creative Sign), e Wedoble (A. Ferreira & Filhos)- se apresentarem colectivamente no espaço CIFF Kids, sob a égide do conceito Children Fashion from Portugal, e das outras 4 – Sergio Albani (Profato), Orcopom, Enrico Silvanni (Irsil) e Onara se encontrarem em halls específicos, sendo que esta última já estava na CIFF duas edições antes da estreia da Associação. «Estes mercados são muito interessantes dado serem particularmente atentos ao factor moda dos artigos, e são muito permeáveis a novas marcas estrangeiras», diz José Miguel Barros,director-geral(DG) da Onara. Kirsti Uslset, a designer da Orcopom, está de acordo, destacando ainda o gosto dos dinamarqueses em especial por peças trendy. José Carvalho, DG da Profato, inicialmente optimista com o novo mercado, ficou decepcionado com a sua localização na feira, que «precisa de uma rectificação, assim como se tem de pensar noutro modelo de comunicação para uma melhor divulgação desta presença». Em contrapartida, Maud Nidelius, agente da Irsil, estava muito satisfeita com a localização do seu stand, visitado sobretudo por suecos, que «preferem vir aqui, em detrimento do Modecenter, em Estocolmo». A reduzida afluência à área do stand colectivo na CIFF Kids desanimou inicialmente os estreantes, embora Peter Sabroe, o director do certame, tenha elogiado a presença portuguesa, e alertado o Portugaltêxtil (PT) para o facto de os clientes escandinavos terem uma aproximação inicial um pouco fria, o que exige mais trabalho do expositor. Um trabalho que pode ser posterior, pois como notou Maria João Godinho, da Babex, na primeiras presenças na FIMI também tiveram poucos contactos, mas que posteriormente trabalhados resultaram em muito boas oportunidades de negócio. Mariana Pais, adirectora comercial(DC) da Laranjinha, cujas peças foram escolhidas pela organização da CIFF para integrarem o desfile oficial do segmento Kids, destacou a «preferência dos clientes daquelas paragens pelo canal Internet na roupa de criança», e Paulo Pinto, DC da Fun Baby, a estrear-se com a primeira colecção da empresa, salienta que fez «poucos contactos mas bons», e que para esta primeira abordagem à Escandinávia é preciso «produto e…paciência». A FS Confecções e a Inarbel são unânimes a ver esta iniciativa como um estudo de mercado, e salientaram que «os clientes vão apenas directamente aos stands que lhes interessa», como refere Fátima Gabriel, DG da FS; o que é «preciso é arranjar uma forma de os atrair para este espaço» complementa Manuela Sena, directora de marketing da Inarbel. «Havia dois objectivos à partida: conhecer este mercado e fazer negócio, mas ficámos um pouco aquém em ambos os objectivos, embora tenha de reconhecer que podíamos ter feito mais trabalho de casa», reconhece Teresa Pereira, directora de marketing (DM) da Wedoble, mas acrescenta que neste modelo talvez se justifique mais preparar uma comitiva de visita, composta por agentes e retalhistas profissionais, preparada também com o ICEP, num registo mais próximo do de uma Missão Empresarial, opinião partilhada por Filipe Silva, DC da Valti. «Acho louvável a iniciativa da ANIVEC/APIV em proporcionaràs empresas esta participação, a custos muito moderados, e mais louvável ainda é o facto de terem estendido tal convite a empresas não associadas. O facto de não termos tido mais visitantes deve-se essencialmenteà localização específica do stand “colectivo”e os parcos meios de marketing que forem possíveis obter, tendo no entanto sido cumprido o objectivo de um primeiro contacto com este mercado, que em muito pode ser aproveitado no futuro, para as empresas que entenderem ser positivo repetir a experiência», resumiu André Sá, DG da Sácole. E assim é. Foi consensual que todas as empresas estreantes se aperceberam que precisam de arranjar um agente para estes mercados, e que à excepção da Makao, que dada a sua ainda reduzida dimensão (6 pessoas) prefere apostar primeiro noutros mercados com um retorno mais garantido da próxima vez, todas as empresas referem que pretendem voltar à CIFF para verem aumentado o retorno de um mercado que todos caracterizaram de interessante. José Ribeiro, que acompanhou a missão pela Anivec/Apiv, disse ao PT que «estamos com muita esperança neste mercado, e esta ainda é a porta de entrada nos mercados da Escandinávia. Embora ainda se verifiquem muitos contactos para produção de private label, de segmento alto, vemos aqui um imenso potencial para quem queira desenvolver o negócio de marca própria». A próxima edição da CIFF realiza-se entre 10 e 13 de Agosto deste ano.