Outdoor: um mundo de oportunidades

A “onda” de outdoor atingiu não só o mercado geral, mas também os famosos. Brad Pitt e Jennifer Aniston aparecem com casacos da North Face. As lojas fashion de Manhattan exibem esta marca e em Londres a loja da North Face é muito frequentada. O outdoor é uma nova forma de vida. No mercado do desporto há muito que este tema suscita interesse. «O volume de negócios do sector outdoor vai crescer ainda mais», afirma o presidente do European Outdoor Group (EOG), Rolf G. Schmid. O EOG estima o volume de negócios total em 2004 em 5,1 mil milhões de euros, dos quais 1,98 mil milhões de euros dizem respeito ao vestuário, sendo este o sector com a maior contribuição, seguido do calçado de montanha e todo-o-terreno com 686 milhões de euros. A Alemanha, com um volume de negócios de 1,53 mil milhões de euros, é o maior mercado de artigos outdoor, seguida da Grã-Bretanha (1,04 mil milhões de euros) e da França (924 milhões de euros). De acordo com o membro da administração do EOG, Albrecht von Dewitz, «a Europa registou um aumento do volume de negócios de dois por cento». Na opinião de Klaus Jost, da Intersport, os novos grupo-alvo aumentam o potencial do vestuário outdoor moderno, «a função é um dado adquirido. Os detalhes relacionados com a moda ganham importância, sobretudo no caso das mulheres responsáveis pelo alargamento deste mercado. A tendência de comprar vestuário outdoor em lojas regulares não é nova, mas está a ser sistematicamente desenvolvida». A escolha de marca é ampla. Os artigos mais procurados são os casacos com funções, assim como calças, camisas e roupa interior. Novos grupos-alvo Uma das marcas que mais tem lucrado com este segmento vencedor é a Jack Wolfskin. O seu grande trunfo foi abrir o vestuário outdoor a pessoas que não são propriamente desportistas, mas que gostam de sair independentemente das condições atmosféricas. A marca tem 84 lojas franchisadas na Alemanha, 39 na Europa e 24 no Japão. As encomendas da marca para a época Outono/Inverno 2006/07 registaram um crescimento recorde de 47 por cento no mercado europeu. O motor do crescimento foi, também neste caso, o vestuário. Existem várias marcas disponíveis, como a Mammut, Schöffel, The North Face, Columbia, Vaude ou Salewa, todas bem sucedidas. «O outddor desenvolve-se cada vez mais no sentido da moda, as suas colecções apresentam cada vez mais um lifestyle (estilo de vida) e a técnica está mais presente no sportswear», explica Petra Griesel, responsável pelo departamento de outdoor da feira de artigos desportivos Ispo. Na próxima edição da Ispo (16 a 18 de Julho), o novo segmento “Wearable Technologie” (tecnologia vestível) vai apresentar as potencialidades dos têxteis técnicos. Função sai à rua O tema outdoor impõe a sua presença de forma mais acentuada no mercado no seu todo. Segundo os cálculos do EOG, somente os discounters e marca comerciais atingiram, em 2004, cerca de 1,1 mil milhões de euros, isto é, um quinto do volume de negócios total do mercado de outdoor. A oferta é cada vez maior por parte da Aldi, Lidl, Plus e Tchibo, mesmo que quando testados os utilizadores de um casaco Tchibo fiquem literalmente à chuva. O que há a salientar é que este exemplo comprova que existe potencial neste mercado.Outra prova é dada pelo desenvolvimento da feira de Outdoor, em Friedrichsafen, cuja próxima edição se realiza entre 23 e 26 de Julho. Esta feira teve início em 1994 para uma pequena comunidade. Desde 1995, o número de expositores quase duplicou para 660 e o número de visitantes profissionais quase triplicou, atingindo os 15.137 em 2005. A oferta desta feira foi sofrendo alterações e tornou-se mais têxtil. Mais moda, mais cor, mas sempre funcional. Desta forma, a moda pode estar presente e dá aos produtores de outdoor uma hipótese de se afirmarem no comércio de vestuário. «Aqui surgem novas oportunidades de distribuição», afirma o responsável de marketing da Messe Friedrichsafen, Ludwig Meier. A feira recebe cada vez mais visitantes da área da moda para se informarem das tendências e para encomendarem vestuário funcional. «O mercado de outdoor é constituído por um público disposto a pagar mais por uma função. Podemos praticar preços mais elevados com base nas funções, usando o mesmo argumento para vender o artigo», afirma Ludwig Meier. Os comerciantes de vestuário já sabem que existe muito potencial nas marcas de outdoor.Estes afirmam haver um aumento dos resultados relativos a este segmento. Os bestseller da última época Outono/Inverno foram casacos e coletes funcionais entre 199 e 299 euros. Entre as marcas mais vendidas estão a Vaude, Schöffell, Jack Wolfskin, Columbia e Mammute. As marcas podem ser encontradas nas secções de vestuário de homem e de senhora e também nas secções de vestuário desportivo. Para os produtores coloca-se uma questão: que grau de moda tem de ter uma colecção outdoor para se integrar na oferta de vestuário e ao mesmo tempo ter credibilidade numa loja de desporto? Muitos produtores como a Pek Performance, Schöffel, Columbia, Salewa, Lafuma, Arc’teryx e Vaude procuram encontrar este equilíbrio entre função e moda apresentando, por exemplo, linhas de vestuário de montanha que podem ser usadas no dia-a-dia. Mulheres são as que apresentam maior potencial Os produtores reconhecem que este grupo é o que tem mais potencial. As colecções para mulher são mais modernas e femininas. Já existem mais saias, mais tops e mais cor. Mark Held, secretário-geral do EOG, afirma, «é importante saber o que as mulheres querem, oferecer o que procuram no vestuário. Os tamanhos unisexo estão ultrapassados, exigem um bom corte, conforto e cor. O mais importante é saber como compram. Estou sempreà espera da primeira loja de outdoor para mulheres». Apresentar o vestuário outdoor com acessórios é uma outra estratégia que traz bons resultados. A influência da moda no outdoor possibilita novas oportunidades e crescimento e o tema outdoor abre novas hipóteses para o comércio de vestuário. Resta saber aproveitá-las.