Os vestidos das mil e uma noites

Para quem desconhece, o nome Elie Saab é sinónimo de luxo e exclusividade. Saab é um estilista libanês que ficou célebre ao vestir a actriz americana Hale Berry, na noite em que esta se tornou a primeira negra a receber um Óscar de Melhor Actriz.

Muito conhecido entre princesas e aristocratas árabes, como por exemplo Rania da Jordânia, que é uma das suas mais fiéis clientes, Elie Saab é já um dos grandes nomes da moda presentes em Paris e Milão.

Marcado por um estilo exuberante, luxuoso e requintado, o estilista crias peças únicas e cheias de “glamour”, mas praticamente inacessíveis aos bolsos de qualquer pessoa. Foi, aliás, fabricado por ele, o mais caro vestido de noiva alguma vez feito, e que custou nada mais nada menos, do que dois milhões de dólares.

Ainda um adolescente, e sempre a cortar e coser roupas, os pais de Elie Saab, modestos e conservadores, pensaram que o filho seria alfaiate, pondo de parte as intenções do jovem de se tornar estilista, profissão nada adequada a um homem, ainda por cima árabe.

No entanto, a determinação levou Elie para Paris com uma bolsa No entanto, e devido à sua determinação trocou rapidamente a formação teórica pela prática. Aos 18 anos abriu o primeiro ateliê em Beirute e a imprensa libanesa chamou-lhe o “génio precoce”.

Em 1982 começa a desenhar vestidos de noiva (dez em cada colecção), destacando-se pelo luxo das suas colecções, que são encaradas pelos muçulmanos como escandalosas, devido às transparências, tecidos e tons utilizados.

Na década de 80, viu-se obrigado várias vezes a fugir com vestidos debaixo dos braços, enquanto o prédio onde trabalhava sofria violentos ataques, tendo ficado parcialmente destruído. Mesmo assim, e durante estes tempos difíceis, Elie Saab conseguiu impor-se e conquistar o mercado do Médio Oriente.

No início de 1990, a Europa rende-se a este árabe cheio de talento, conseguindo em 1997 apresentar uma colecção de alta costura em Roma, tornando-se no primeiro não-italiano a ser aceite pela prestigiada Camera Nazionale della Moda. Entretanto decide lançar-se no prêt-à-porter, aumentando a sua clientela, que até então se limitava apenas a membros da realeza e da alta finança.

Mas a verdadeira publicidade ao estilista da moda, surgiu devido ao facto de ter «vestido Hale Berry no ano em que ganhou o Óscar», admite Elie Saab em entrevista à CNN.

As fotos da actriz a chorar na altura em que recebia o Óscar chamou a atenção para este nome, até então desconhecido. O vestido que usava, de um tom entre o castanho e o bordeaux, e que era constituído por uma saia de cetim e uma transparência que ocultava a nudez do peito através de uma flores bordadas à mão e estrategicamente colocadas, foi classificada como a mais bonita criação de sempre, segundo as votações no “site” oficial dos Óscares.

Ashley Judd, Calista Flockhart, Mena Suvari e Bridget Fonda, são algumas das estrelas de Hollywood que não dispensam os vestidos de Elie, e são para elas alguns dos 400 trajes de noite e 250 vestidos de noiva produzidos pelas cerca de 100 costureiras que trabalham no ateliê de Beirute.

Para quem quiser conhecer de perto as criações deste “génio precoce”, tem de se deslocar a Espanha, pois a loja mais próxima situa-se em Madrid, existindo mais duas em França (Cannes e Paris) e outras 10 espalhadas pelo mundo.

E para se ficar com uma ideia do luxo que vem das terras árabes, é de referir que só o esboço do vestido de Halle Berry atingiu, num leilão de caridade, um valor de cinco dígitos, e 60 mil euros é o preço mais baixo que se pode encontrar para o vestido mais simples, sem qualquer detalhe de requinte que tanto caracteriza este estilista libanês.

Este é o luxo que nos chega das terras das mil e uma noites.