Os últimos 12 anos da têxtil em Espanha

O ano de 2001 foi o primeiro, de muitos anos de boa saúde no sector têxtil, a ser matizado por algumas inquietudes adianta o jornal espanhol Textil Expres. E 2002 apresenta-se francamente desconcertante. É possível que o futuro imediato não possa ser tão atraente como o ano anterior. E aqui cada qual pode ser tão pessimista quanto o seu temperamento (ou a sua experiência particular) lhe dite. Neste momento, que pode ser considerado como um ponto de inflexão, é interessante fazer um exame retrospectivo dos doze últimos anos, o mesmo que dizer da década de 90 e dos dois exercícios de 2000. No que diz respeito ao censo empresarial, a primeira metade dos anos 90 esteve fortemente marcada pela recessão, fazendo com que entre 1990 e 1996 tenha desaparecido quase um terço das empresas. No entanto, a bonança dos cinco anos seguintes, tornou possível uma prática de estabilização que, mas a chegada de 2000, parece dar lugar a um novo declive. A trajectória do emprego tem sido similar, inclusive houve nos últimos anos um ligeiro aumento líquido do quadro de pessoal. Mas isto não constitui nenhuma garantia. Uma conjuntura económica menos favorável num marco internacional de competência cada vez mais desapiedada (no final de 2004 irão extinguir-se as últimas regulamentações do comércio mundial previstas em Marrakeche), poderia dar lugar a outra queda como há dez anos atrás. O facto da dimensão do sector diminuir não quer dizer necessariamente que o volume de negócios caia. Ao longo de 12 anos registou-se um ponto mínimo em 1993 mas, a partir daí, menos empresas facturaram notavelmente mais que as já existentes no inicio da década (uma média de 203,65 milhões por empresa em 1990 e de 324,44 em 2001). Esse fenómeno pode continuar a ocorrer já que entre as empresas sobreviventes podem existir algumas com uma forte capacidade expansiva. Em grande parte isso dependerá de como irá evoluir a exportação. O seu comportamento entre 1990 e 2002 foi, em termos de valor, espectaculares. Passou-se de menos de 1,2 milhões de euros para 6 milhões de euros (40% da produção nacional espanhola). É certo que isto só foi possível com a contribuição de alguns grandes protagonistas que criaram as suas próprias organizações de venda a retalho no exterior. No que respeita às importações, estas seguem uma curva crescente bastante regular, sempre acima das exportações. O mais grave é que supõem uma quota cada vez maior do consumo aparente. Enquanto as exportações passavam de 10% para 40% da produção, as importações cresciam, em valor, de 10% a 48% do mercado interno. A “grosso modo”, metade do que se veste na Espanha provém de fora, bastante mais do que os 40% estimados aquando da entrada no mercado comum. Claro que agora já não estamos num marco europeu: estamos no mundo. Nas novas condições do comércio internacional, recuperar partes do mercado interno (ou simplesmente travar a sua perda) vai ser muito difícil, por isso, para compensar esse impulso, seria necessário forçar ainda mais as exportações, uma tarefa que muitas das empresas espanholas apenas iniciaram e que talvez não se sintam com vocação para terminar.