Os números da moda

A São Paulo Fashion Week fechou seis dias de desfiles com, mais um, balanço positivo. Para além dos cortes, tecidos e cores apresentados nas passerelles por Alexander Herchcovitch, Osklen ou Ellus, o evento serviu também como forma de investimento em novos negócios que podem abrir portas internacionais aos grandes nomes da moda do Brasil. A maratona da moda em São Paulo teve início muito antes do lançamento oficial do São Paulo Fashion Week, isto porque a organização do evento decidiu fazer um lançamento ao jeito hollywoodesco do novo portal do certame. Com a presença de figuras públicas, jornalistas e muitos amantes da moda, este lançamento foi ideal para abrir o apetite para seis dias repletos de desfiles e nomes como os de Alexander Herchcovitch, Osklen, Zoomp, Ellus ou Ronaldo Fraga. Na edição mais bem sucedida de sempre e feitas as contas, o São Paulo Fashion Week deixou claro que a moda é cíclica e que o vestuÁrio feminino estÁ a perder romantismo e a tornar-se mais clÁssico e adulto. O que se viu nas passerelles foi uma mulher mais sofisticada, mais poderosa e menos menina», sublinhou a editora de moda Susana Barbosa, da revista Elle, acrescentando que a roupa estÁ mais séria. A cintura das calças subiu e o cumprimento das saias desceu, algo que não era visível no ano transacto». Também os volumes estiveram em alta e assistiu-se ao regresso de golas, mangas e saias, numa estação onde a alfaiataria ganhou mais espaço. Entre os tecidos, o couro aparece nos casacos, mas também em vestidos e saias – o que não era usual. JÁ, o estampado mais forte continua a ser o xadrez. Entre os 40 desfiles realizados durante os seis dias do certame, foram 100 mil as pessoas que passaram pela Bienal para assistir de perto desde grandes produções – como a da Ellus, que transformou a Estação Júlio Prestes, no centro da cidade, numa passerelle para 105 modelos – a desfiles mais personalizados e que seduziram a plateia, como aconteceu com a Huis Clos. Mas os destaques não ficam por aqui. Alexander Herchcovitch adaptou um exercício de estilo com cubos, bolas e triângulos coloridos, que chamaram à atenção e fizeram furor. Na série de modelos em preto, que começou o desfile, cheguei a usar na construção da roupa 10 a 15 tecidos diferentes. Nos materiais, trabalhei com a astracã de veludo, lã, algodão, seda, panamÁ de viscose e panamÁ de algodão», salientou Herchcovitch no final do desfile. Mas para além da matemÁtica das formas e tecidos usada por Herchcovitch, foi sobretudo a matemÁtica dos números que chamou as atenções dos presentes – sobretudo no primeiro dia dos desfiles. Ninguém quer saber das colecções. Só se fala de negócios», afirmava o estilista, que vendeu as suas duas marcas ao Identidade Moda (I’M), grupo que também comprou a Zoomp, a Zapping, a Fause Haten, a Clube Chocolate e a Cúmplice, gerando assim uma grande expectativa quanto ao futuro internacional das marcas. De volta às passerelles, foi a Osklen que se evidenciou no primeiro dia ao apresentar a sua colecção ao ritmo da cidade. Misturando grunge chique, com malhas às riscas e casacos trabalhados, Oskar Metsavaht deu especial atenção à arquitectura das golas e ganhou pontos com uma colecção elegante. Ao som de Adriana Calcanhoto, acompanhada por um violoncelo, Maria Bonita apresentou uma colecção que aliou a tradição à modernidade, onde predominaram os tons de cinzento, entre calças de alfaiataria e estampados de xadrez. Contrastando com o tom neutro, apareceu o vinho, amarelo mostarda e verde musgo. Sem Giselle Bunchen, mas com Isabeli Fontana e Carol Trentini, a Zoomp apresentou – ao som de música electrónica – jeans de cores escuras, onde a tendência mais forte foi ditada por calças de cintura e boca larga. As botas de cano alto – outrora usadas com as calças skinny – permanecem nos armÁrios, principalmente se os saltos forem bem altos. Quem ganha bastante espaço nas cruzetas são os vestidos, ora largos, ora justos ao corpo. Para os homens, a moda da Zoomp propõe um visual rock, onde as calças tem comprimento mais curto e os casacos são sobretudo de nylon. A comemorar 30 anos de carreira, Lino Villaventura apresentou um desfile imponente e repleto de glamour. Inspirando-se em 30 personagens femininas reais e mitológicas, o estilista levou à passerelle traços característicos de três décadas de carreira. Este desfile não é uma retrospectiva da minha carreira. Quero comemorar e celebrar os 30 anos desta marca que é forte e imponente», afirmou o estilista. Além de vestuÁrio, o estilista criou três esculturas pretas que adornavam a passerelle. Quanto a André Lima, que por hÁbito apresenta vestidos longos, surpreendeu ao criar peças curtas e bastante coloridas, onde sobressaíram as formas geométricas usadas nos materiais e nos volumes. Incumbido de encerrar a 24ª edição do São Paulo Fashion Week esteve Ronaldo Fraga, que mais uma vez não decepcionou o seu público. Inspirado nas antigas lojas de tecido – um modelo em extinção» – segundo o próprio, o estilista mostrou as maravilhas que sabe fazer sobre alguns centímetros de pano. Com um mediatismo internacional cada vez mais forte e abrangente, houve ainda lugar no São Paulo Fashion Week para os engenhos electrónicos, com a apresentação do novo telemóvel MOTOROKR U9.