Os maiores produtores têxteis europeus

Precisamente há dez anos atrás os autores do ranking da TextilWirtschaft (TW) para a indústria têxtil puderam anunciar um recorde. Entre as 75 empresas da Europa era possível encontrar, pela primeira vez, um recorde no que diz respeito ao número destas que registavam um volume de negócios de 17 mil milhões de marcos alemães. O bilionário mais bem sucedido da Alemanha era o Freudenberger Gruppe, com 1,8 mil milhões de marcos alemães. O grupo Daun tinha na altura um volume de negócios de 685 milhões de marcos alemães.

Na actual lista dos maiores elaborada pela TW, baseada nos dados de 2004, os resultados são inquestionavelmente diferentes. Das 119 empresas europeias presentes no ranking encontram-se apenas 4 euro-bilionários. Se calculássemos os volumes de negócios em marcos alemães seriam 8 bilionários. A lista é liderada pelo grupo alemão Daun, seguido do produtor de roupa íntima Triumph International Holding (Suiça), pertencendo a terceira posição ao grupo britânico Coats Holding e em quarto lugar está a Sahinler Holding (Turquia).  

Comparativamente ao ano anterior, o que se mantém são os problemas. Nesse espaço temporal, as empresas já apresentavam volumes de negócios em queda e uma conjuntura desfavorável. Sobretudo no caso dos produtores alemães sofria-se já com as desvantagens relativas a locais de produção de baixo custo. Como forma de contornar a situação menos favorável os produtores tiveram, e continuam a ter, de optar pela deslocalização da sua produção. No entanto, a indústria têxtil alemã, comparativamente aos produtores de vestuário, continua na sua maioria a produzir na Alemanha.

Crescimento via aquisições

Para conseguir conquistar, dentro do ambiente de concorrência cada vez mais feroz, maiores volumes de negócios e uma fatia de mercado mais alargada, as empresas europeias procuram cada vez mais uma solução na especialização ou nas alianças com empresas de grandes dimensões. No total, o volume de negócios na Europa no último ano continuou a descer. Esta é a conclusão da Euratex, que anunciou para 2004 um volume de negócios relativo aos têxteis e vestuário de 207,6 mil milhões de euros, o que representa uma descida de 2,7 por cento em comparação com o ano de 2003. A associação da indústria têxtil e de vestuário europeia (Euratex) não revelou todavia quaisquer valores individuais.

 

As 119 empresas europeias que constam do ranking da TW registaram no total um volume de negócios de 25,8 mil milhões de euros, atingindo assim um aumento de 2,5 por cento. Se observarmos com atenção a subida do volume de negócios em cada caso é possível verificar que este frequentemente se ficou a dever a aquisições. O melhor exemplo deste facto é dado pelo grupo Daun, que com um volume de negócios de 1,8 mil milhões de euros (+ 3,5 por cento comparativamente a 2003) lidera o ranking. O grupo apostou no crescimento, sendo proprietário de mais de 70 empresas têxteis em quatro continentes. O ponto-chave dos investimentos deste grupo situa-se na Alemanha e África do Sul. O seu país natal alberga 30 destas empresas, entre as quais Lauffemmühle, KBC e Kap AG. O volume de negócios das filiais não foi considerado separadamente no ranking. Em Maio o grupo Daun comprou a empresa têxtil TWD GmbH que se encontrava em falência. Algumas semanas mais tarde o grupo anunciou a aquisição da Esda Vertriebs Service GmbH, sobre a qual a TWD tinha uma participação de 49 por cento. No Outono surgiu outro anúncio revelando que a Daun queria viabilizar o produtor de têxteis-lar Langheinrich GmbH & Co KG.

Crescimento via concentração

O segundo lugar do ranking de volume de negócios pertence, tal como no último ano, ao gigante de moda íntima Triumph Holdings com uma volume de negócios de 1,5 mil milhões de euros (-0,7 por cento). Apesar da difícil conjuntura do sector ter deixado algumas marcas na empresa e a subsidiária alemã ter registado uma queda de 0,7 por cento, a Triumph conseguiu aumentar a sua fatia de mercado em 2004.

A Coats Holding, mesmo tendo sofrido uma descida de 5,8 por cento no seu volume de negócios, atingindo 1,4 mil milhões de euros, posicionou-se no terceiro lugar. A empresa concentrou-se totalmente nos últimos anos nos fios, tendo também deslocalizado grande parte da sua produção para países de baixo custo. Com um volume de negócios de 1,1 mil milhões de euros, a Sahinler Holding conquista a quarta posição. O director da empresa, Kemal Sahin, é um dos pioneiros das empresas turcas na Alemanha. O seu grupo obtém somente na Europa 370 milhões de euros.

Na Alemanha o volume de negócios dos produtores têxteis caiu no último ano, segundo dados do departamento de estatísticas do governo, 0,6 por cento, atingindo 13,3 mil milhões de euros. As encomendas foram as únicas responsáveis por algumas alegrias, tendo registado uma ligeira subida de 3 por cento. As encomendas do mercado interno desceram 5 por cento.

Uma das maiores oportunidades para fazer face à concorrência internacional é, segundo os produtores têxteis alemães, a especialização nos têxteis técnicos. Estes foram responsáveis em 2004 por uma subida do volume de negócios das empresas de mais de 40 por cento, verificando-se uma subida desta tendência. Desta forma não é surpreendente que no ranking dos maiores produtores têxteis alemães se encontrem nos primeiros cinco lugares empresas especializadas em têxteis técnicos, contando estas apenas com uma pequena parte de vestuário.

A par com a especialização, todos os produtores europeus reconhecem no comércio internacional grandes potencialidades. O recente alargamento da UE “ofereceu” novos mercados. Mercados como a Ásia ou a América do Sul têm de ser trabalhados. A liberalização do comércio mundial de têxteis trará boas oportunidades a todos, basta saber aproveitá-las.