Os desafios da gestão de stocks – Parte 3

No entanto, e apesar dos mais recentes desenvolvimentos nas técnicas e ferramentas de gestão dosstocks, o planeamento dos sortidos e o chamado “micromerchandising”, que engloba os perfis de artigos, a disposição das lojas e a optimização das embalagens, são questões complexas e que estão apenas a começar a registar efeitos visíveis no retalho do vestuário.

Jim Lovejoy considera que “com o aperfeiçoamento dos sistemas de comunicação, as empresas de vestuário vão operar com mais flexibilidade, e poderão ao mesmo tempo identificar os problemas mais rapidemente, e logo responder também mais depressa às solicitações dos retalhistas, devido à redução dos tempos de espera ao longo da cadeia de produção, melhorando assim os desempenhos nos diversos modelos de negócio”.

Ainda na opinião deste analista, o segredo para melhorar o relacionamento com os grandes retalhistas, reside na capacidade de lhes garantir uma oferta personalizada de serviços, algo que as novas tecnologias vão cada vez mais facilitar, até porque estes compradores tenderão a privilegiar um número restrito de fabricantes e fornecedores de vestuário.

Em síntese, Antony Karabus refere que as empresas devem estar atentas a seis sinais:

– Redução nos tempos de compra

– Redução na percentagem das margens brutas

– Diminuição no movimento de clientes

– Aumento das quantidades destocks

– Redução na produtividade dosstocks

– Envelhecimento dos artigos emstock

Caso algum deste sinais se manifeste na sua empresa, é imperioso conhecer antes as suas reais necessidades, antes de se precipitar na compra e implementação de uma solução tecnológica.

Identificar as verdadeiras causas na base dos problemas vai ajudar a poupar tempo e dinheiro, e ajudar os gestores a manterem-se concentrados nos objectivos essenciais.

Por “solução tecnológica”, entenda-se mais do que simplesmenteligar a empresa a um novo sistema informáticoe seguir algumas instruções.

Este processo exige também uma mudança na cultura, gestão de compras e processos de negócios, além de implicar a revisão da estratégia empresarial …no mínimo!

Outra das mudanças que esta estratégia acarreta verifica-se ao nível da gestão das encomendas de artigos, em termos de localização geográfica das lojas, uma vez que estes sofisticados programas informáticos permitem processar a entrega de produtos em zonas com diferentes políticas de preços, e executar as necessárias alterações entre grupos de estabelecimentos com maior eficácia, rapidez e poupança de recursos.

Tanto no caso dos artigos básicos, como no das peças de moda, os especialistas aconselham a que se recorra a ferramentas de optimização das promoções, que ajudem a determinar o impacto de cada venda em particular, por exemplo, se um artigo tem o seu preço reduzido em 10%, a meio do seu ciclo de vida, de que forma é que isso se vai reflectir na rentabilidade global das vendas dessa colecção?

Então, qual é o impacto destas inovações nas operações do retalho de vestuário?

Segundo aKarabus Retail Management, os seus clientes beneficiaram destas cinco vantagens:

– Previsões mais exactas no que toca aos estilos, cores e tamanhos do sortido de artigos de vestuário

– Melhor alocação nos canais de venda e distribuição, vindo ao encontro das necessidades dos clientes

– Melhor gestão das peças básicas, através de práticas de reposição mais eficazes

– Melhores ferramentas de optimização das margens de lucro

– Métodos mais eficazes de determinar as necessidades em termos das medidas das peças, possibilitando assim uma melhor satisfação da procura por parte dos clientes

Em resumo, os benefícios destas tecnologias são claramente superiores aos investimentos em tempo, dinheiro, formação, mudanças culturais e reestruturação dos modelos de negócio.

E uma vez que as empresas tenham aperfeiçoado efectivamente o seu funcionamento, as margens de lucro vão inevitavelmente crescer, aumentando igualmente a sua rentabilidade.