O crescimento no mercado de artigos de luxo, avaliado em mais de 250 mil milhões de euros, deve acelerar no próximo ano, impulsionado pela retoma da procura nos EUA e na China, depois de ter encalhado em 2016.
A consultora Bain & Co antecipa que o crescimento das vendas de luxo este ano deverá ser de cerca de 1% a taxas de câmbio constantes, em comparação com 1,5% em 2015. «Penso que este ano pode ser um ponto baixo para a indústria», indicou à Reuters Claudia d’Arpizio, partner na Bain e autora dos estudos sobre o sector do luxo, à margem da conferência sobre o luxo do New York Times International, que teve lugar em Versailles.
A Bain vai publicar, dentro de algumas semanas, um estudo atualizado com as previsões para o mercado de bens de luxo, que inclui acessórios, vestuário, joalharia e relógios, não tendo neste momento mais números concretos. Mas a consultora está entre as primeiras a quantificar uma deterioração esperada nas condições de comércio para este ano, depois de terem surgido, nas últimas semanas, uma série de notícias negativas sobre o sector do luxo.
Segundo a Bain, os consumidores estão a adotar uma atitude “esperar para ver” no mercado dos EUA, o que significa que a procura deverá retomar no próximo ano, assim que as eleições presidenciais passarem. A força do dólar tem também travado o ímpeto consumista dos turistas.
A procura na China Continental deverá igualmente recuperar, à medida que diminuem as diferenças de preços com regiões como a Europa. As novas políticas fiscais e de controlo de fronteiras estão igualmente a desencorajar as compras no estrangeiro.
A discrepância entre os preços na Europa e na China, que atingiu um pico superior a 70% há um ano atrás, diminuiu para cerca de 35% em média e pode cair para cerca de 25% no futuro próximo, refere a Bain.
Os daigou (chineses que compram além-fronteiras para revenderem na China) têm sido parcialmente responsáveis por estas diferenças de preços, uma vez que cobram uma comissão por cada compra. A prosperidade do seu negócio explica porque cerca de 80% das compras de luxo de chineses são realizadas nos mercados externos. «Se repatriarmos o negócio daigou para os canais oficiais, isso vai impulsionar o mercado de luxo interno», advoga d’Arpizio.
O sector de bens de luxo tem sido afetado por vários fatores este ano, desde a diminuição no número de turistas na Europa, assustados com os ataques terroristas, à quebra do comércio em Hong Kong, passando pela menor procura na China e pela estagnação do mercado americano.
O sector, que é cíclico por natureza, tem assistido a um abrandamento desde 2011, ano em que o crescimento foi de 13% a câmbios constantes. Em 2012 e 2013, o crescimento foi de 5% e 6%, respetivamente.
Vários corretores reviram em baixa as suas previsões para as ações de atores do luxo, sobretudo as que estão expostas ao deprimido mercado de relojoaria. Por exemplo, o UBS reduziu em 7% as expectativas de lucro por ação para a Richemont e em 9% para o Swatch Group. A JP Morgan, por seu lado, reviu as previsões de vendas comparáveis para a Burberry para -2% no período de janeiro a março, em comparação com uma previsão anterior de estagnação.
A Bain antecipa que o crescimento anual na indústria de artigos de luxo atinja 2% a 3% nos próximos cinco anos.










