Orfama em consolidação

A empresa especialista em vestuário em malha fully fashion está numa fase de estabilidade, conseguida graças a uma grande proximidade com os clientes e a fortes investimentos tecnológicos, o que lhe permite ter boas perspetivas para o futuro.

António Cunha

Para a Orfama, que tem 50% da produção alocada a marcas próprias do grupo Montagut, ao qual pertence, e a outra metade ao private label, o momento é de consolidação. «Temos tido uma produção muito estável, pela conexão aos clientes, nomeadamente novos clientes, que permitiu criar uma estabilidade mais prolongada na empresa», acredita António Cunha, sales area manager.

Este processo de consolidação só é possível, revela, graças a «um trabalho muito grande a nível de prospeção de mercado», inclusivamente durante o difícil período da pandemia. «Continuámos a visitar os clientes, a ter um contacto próximo, e isso permitiu criar uma dinâmica diferente daquela que tínhamos anteriormente», explica António Cunha.

Essa proximidade permitiu, inclusivamente que a Orfama se afastasse das feiras enquanto expositora – a única exceção é o Modtissimo. «Felizmente, estamos numa situação relativamente estável em termos de produção e não faz muito sentido irmos a feiras se, depois, não temos capacidade de resposta para os nossos clientes», assume o sales area manager. Ainda assim, certames profissionais, como a Première Vision, são importantes «porque temos clientes lá e também para recolher informação do mercado – é importante estarmos nos meios para sabermos o que se está a passar e podermos tomar decisões mais acertadas para o futuro», refere António Cunha.

Com produções agendadas para a totalidade deste ano, a Orfama está «já a trabalhar em 2024», revela António Cunha, que não deixa de sublinhar que «vivemos num mundo muito volátil, qualquer coisa pode abalar tudo etemos de tomar precauções». A empresa continua, por isso, a «fazer investimentos e a adotar novas formas de trabalhar, mais otimizadas. Temos maquinaria nova para que, através disso, possamos ter um incremento do nível de qualidade e, aumentando a qualidade, vamos aumentar a nossa margem, porque vamos atingir clientes que não era possível se não tivéssemos a tecnologia e os layouts otimizados que temos», sublinha.

Reforço tecnológico

Entre os investimentos mais recentes está a aquisição de tecnologia da Shima Seiki, no valor de 1,2 milhões de euros, «que nos permitiu criar um produto com mais-valias», estando em curso também a implementação da produção com «maquinaria wholegarment – já comprámos as máquinas, agora estamos a dar os primeiros passos», revela o sales area manager da Orfama, adiantando que os artigos produzidos desta forma irão chegar aos clientes no inverno de 2024.

Para além de abrir novas possibilidades de produto, a tecnologia vem dar resposta à escassez de mão de obra especializada, que se tem sentido na indústria de vestuário. «O nosso tipo de produto é mão de obra intensiva [a empresa emprega 230 pessoas] e cada vez temos mais dificuldade em encontrar pessoas especializadas em remalhagem e isso faz com que tenhamos de pensar já no futuro. Através da maquinaria, seremos capazes de fazer o mesmo produto com menos mão de obra», justifica António Cunha.

Para 2023, o sales area manager da Orfama, que no private label produz para a Europa, mas também para mercados como os EUA, Coreia do Sul e Japão, antecipa um volume de negócios semelhante ao de 2022, que rondou os 7 milhões de euros. «Passámos a ter um produto com mais-valia e foi assim que crescemos», afirma.

Quanto ao futuro, «a empresa tem novas formas de trabalhar mais otimizadas e nova maquinaria para que, através disso, possamos fazer um incremento do nível de qualidade e, aumentando a qualidade, aumentar a nossa margem porque vamos atingir clientes diferentes», sublinha António Cunha. «Não queremos crescer em volume, queremos crescer em margens», conclui.