O sourcing europeu para 2006

De acordo com um estudo do Institut Français de la Mode, as importações de vestuário (em tecido e malha) da União Europeia (U. E.) registaram, em 2005, uma progressão de 8% em valor relativamente a 2004. Entre os fornecedores, as importações provenientes da China deram um grande salto: +47% em valor relativamente a 2004. Apesar da reposição de quotas em Junho de 2005, as importações de produtos chineses seguiram a mesma tendência no segundo semestre de 2005: +47% em relação ao período homólogo de 2004. Com efeito, as quotas foram estabelecidas a níveis claramente mais elevados que os das importações do segundo semestre de 2004, o que não permitiu verdadeiramente conter o fluxo das importações de vestuário da U. E. com origem na China. As importações sem quotas, que representaram cerca de dois terços em valor das importações de vestuário com proveniência da China, progrediram de mais de 30% ao longo do segundo semestre de 2005. Deste modo, é de esperar que este movimento ascendente dos aprovisionamentos na China prossiga em 2006, com uma taxa de crescimento certamente inferior à observada em 2005 mas a dois dígitos. Para os dois primeiros meses de 2006, as importações de vestuário (em tecido e em malha) da U. E. com origem na China registaram uma subida de 15% em valor. Os produtos oriundos de Hong Kong aumentaram 162%, enquanto que os do Bangladesh e da Índia progrediram apenas 32% e 44%, respectivamente. Nota-se que os responsáveis pelo aprovisionamento, tal como previsto, procuram diversificar as suas fontes evitando concentrar, de maneira exclusiva, as suas compras na China. Além do mais, a forte progressão das importações via Hong Kong explica-se inegavelmente pela adjudicação das actividades de reexportação de produtos efectivamente fabricados na China mas que transitam pela ilha, que apresenta a vantagem de não ser objecto de qualquer restrição quantitativa à exportação. As estatísticas do comércio exterior dos dois primeiros meses de 2006 revelam também uma progressão das importações de vestuário da U. E. com proveniência nos países mediterrâneos. Os produtos com origem em Marrocos aumentaram 6% em valor, enquanto que no caso da Turquia e da Tunísia o incremento foi de apenas 4%. Em geral, as importações de vestuário dos 25 com origem em países exteriores à comunidade cresceram 20% em valor ao longo dos dois primeiros meses do corrente ano. Este grande aumento foi compensado com uma queda de amplitude equivalente nas compras junto dos membros da U. E. Ainda é demasiado cedo para o afirmar, mas se esta tendência se confirma ao longo dos próximos meses, ela seria inédita e preocupante, já que significaria uma forte retracção do comércio intra-europeu e, por consequência, um grande aumento da taxa de penetração das importações extra-comunitárias no consumo europeu. Além do mais, a recente valorização do euro contribui para reforçar este movimento.