O recorde das falências

Devido ao forte arrefecimento da economia, toda a fragilidade do grupo empresarial português foi posto a descoberto, com as falências a registarem no ano passado um valor recorde. Segundo informações do Diário de Notícias, e de acordo com um estudo elaborado pelo Instituto Informador Comercial, ao todo pediram protecção de credores, ou simplesmente fecharam as portas 1703 pequenas e médias empresas, ou seja, mais 9,3% do que em 2000. Apesar disso, o ritmo de aumento de falências foi o mais baixo dos últimos quatro anos. A área das comunicações foi, segundo o DN, a área mais castigada, ao contrário das empresas ligadas a operações sobre imóveis e indústrias de bebidas que conseguiram recuperar da crise. No entanto, a maior parte das falências regista-se no comércio. Ao todo, retalhistas e grossistas foram responsáveis por 43% do total de empresas que saíram do mercado, seguido de perto pelos têxteis, com 11,2% do total e pela construção, com 10,1%. Em declarações ao DN, Vasco da Gama, presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), afirmou que «o sector sofre de amplos constrangimentos, as empresas estão descapitalizadas, por força de um recurso ao crédito muito elevado; a legislação laboral, pouco flexível é inadequada e, devido ao desequilíbrio nas contas do Estado, a carga fiscal é exagerada». Vasco da Gama declara ainda que, «nunca foram implementadas medidas de reforço financeiro das empresas. Por exemplo, uma medida que poderia ajudar a melhorar a saúde das empresas seria a não imposição fiscal dos lucros reinvestidos». Mas o pior, afirma, «é a falta de uma acção reguladora», que levou ao aumento sem regras das grandes superfícies, com um forte impacto num sector composto essencialmente por pequenas e médias empresas. O estudo do Instituto Informador Comercial mostra ainda que Lisboa e Porto, foram os distritos que apresentaram o maior número de falências empresariais, com 408 e 398 casos respectivamente, ou seja, quase metade do total nacional. A diferença é que enquanto no Porto as falências aumentaram 8,4%, em Lisboa diminuíram 0,4%. Portalegre, Beja e Guarda foram os distritos que registaram um maior aumento de falências, sendo que só na Guarda foram extintas 14 empresas, na sua maioria têxteis.