O que está a mudar com a recessão? – Parte 1

Enquanto a desaceleração económica continuar, as empresas de vestuário vão estar mais motivadas para a sobrevivência a curto prazo, do que em considerações sobre grandes estratégias de longo prazo, de acordo com Mike Flanagan, director-executivo da Clothesource Sourcing Intelligence. Neste artigo de opinião, o autor questiona se a recessão está a mudar as regras e lança um olhar mais atento a algumas das previsões que foram feitas. As coisas mudaram muito no sector de vestuário ao longo do último ano. Há doze meses atrás, o sector enfrentava problemas de inflação internacional, a escassez de trabalhadores chineses estava a aumentar o preço do vestuário produzido no país, os preços do petróleo aproximavam-se dos 200 dólares por barril e o dólar estava a afundar-se tanto, que os produtores de vestuário em economias emergentes receavam não ser capazes de competir. Mas, apesar da realidade estar agora muito diferente, os analistas são ainda capazes de fazer generalizações com base em muito pouca evidência. Em meados de 2008, a nova moda foi o “colapso da globalização”, lançada quando os analistas de um banco canadiano argumentaram seriamente que os importadores iriam parar de comprar produtos na ásia, optando por comprar localmente. Actualmente, considera-se que “esta é apenas a previsão de um banco”, o que significa, implicitamente, que: “por conseguinte, vamos ignorá-la”. Para que conste, os dados preliminares das importações de têxteis e vestuário dos EUA, divulgados no mês de Janeiro, mostram que as importações da América Central caíram 22,7% em 2008, enquanto as da China cresceram 1,3%. “Comprar localmente” vai provavelmente ser uma daquelas previsões, como o escritório sem papel, que nunca acontecem. Na actual recessão, estamos a assistir a mais e mais observações semelhantes, sobre como o mundo tem mudado radicalmente. Alguns podem ter razão, mas noutros casos verifica-se que as pessoas fazem suposições com base em factos esporádicos. O problema é que, entre tantas opiniões, torna-se difícil distinguir o que é fundamentado. Aqui vão alguns exemplos: • 1: Ninguém vai pagar novamente o preço total do vestuário. Pelo menos três analistas, ligados a grandes bancos nos EUA, alegam que a actual onda de promoções nos preços do retalho, significa que os preços nunca mais vão ser os mesmos. Na realidade, os preços do vestuário nos EUA caíram apenas 0,9% em Janeiro. Ao nível mundial, para além de Wall Street, a maior parte da roupa estava a ser comprada praticamente ao mesmo preço do ano passado e as vendas também não foram sequer muito diferentes. Conseguir que os clientes paguem o preço que os retalhistas querem não vai ficar mais fácil no futuro próximo, especialmente em países como o Reino Unido, cuja moeda tem “desmoronado”. Mas, na previsão do comportamento do consumidor, os analistas de Wall Street continuarão a ser autoridades conceituadas, mas apenas em bares e restaurantes locais. Na segunda parte deste artigo, o director-executivo da Clothesource Sourcing Intelligence analisa a suposta saída dos grandes compradores internacionais e dos compradores japoneses da China.