O novo sul – Parte 1

O “Sul profundo” está a transformar sob a égide da cultura e da indústria, assimilando os marcos duros da sua história ainda recente, mas sem deixar cair um passado que se funde com as novas tendências do exterior. Rumo ao Sul A região está, por sua vez, dividida em três regiões censitárias – Atlântico Sul, Sudeste Central e Sudoeste Central – que totalizam 16 estados, integrando o “Sul Profundo” apenas os estados do Louisiana, Alabama, Mississippi, Geórgia, Carolina do Sul, Arkansas, Tennessee e norte e centro da Flórida. O Sul transforma-se hoje pelas mãos das mentes criativas que rumam à região meridional e aí escolhem fixar-se. Em 2012, o Sul recebeu um maior influxo de população do que qualquer outra região, ocupando seis lugares do top 10 de estados preferidos pelas migrações domésticas, recebendo 350 mil novos residentes. Os principais perdedores nesta corrida são os estados de Nova Iorque, Califórnia, Nova Jérsia e Illinois. Nova Iorque foi particularmente afetado, perdendo 3,4 milhões de residentes entre 2000 e 2010. E, se por um lado, os verdadeiros nova-iorquinos estão contentes por haver menos pessoas a circular nas ruas da sua cidade, um decréscimo da população residente significa também um decréscimo das receitas arrecadadas pelo estado, somando perdas de 45,6 mil milhões de dólares. Enquanto estados como Nova Iorque, Califórnia, Nova Jérsia e Illinois perderam, entre si, um total de 111,1 mil milhões, a economia sulista está em crescimento. De acordo com a Revista Chief Executive, os melhores estados para estabelecer negócios foram, em 2013, o Texas, Flórida, Carolina do Norte e Tennessee. O investimento nacional e internacional incentiva o crescimento económico e assiste-se ao retorno da indústria, que proporciona uma subida sustentável de postos de trabalho nos estados do Sul. Assim sendo, não é de surpreender que o Sul seja a região mais populosa dos EUA, com 117 milhões de residentes, aproximadamente a mesma população do Midwest e Nordeste americanos combinados. Migração criativa De acordo com Jon Meacham, repórter da Revista Time, que se transferiu de Nova Iorque para Nashville, Tennessee com a família em 2012, «cultura é comércio». Meacham atribui a prosperidade crescente da cidade à «expansão da cena cultural». E se o sul não é alheio à cultura – afinal foi aí que nasceu a música country e o rock – a nova cultura integra uma mistura revivalista de património sulista e influências exteriores. Apesar de não se conhecer o número concreto de criativos que migram para sul, estão bem presentes os sinais desta mudança. Pela primeira vez, Nashville ultrapassou Los Angeles e Nova Iorque na lista das cidades mais criativas de 2014 da Revista Forbes. Nova Orleães foi colocada em segundo lugar pela Revista Travel and Leisure entre as melhores cidades para hipsters. Além disso, foi ainda nomeada a melhore cidade para artistas jovens em 2014. Enquanto os jovens artistas fixam residência, reconhecidos designers e executivos de moda rumam ao Sul em busca de inspiração. Karl Lagerfel escolheu a cidade de Dallas para palco do desfile Métiers d’Art da casa Chanel em 2013, Fern Mallis foi o orador convidado da semana da moda de Nashville e a recente campanha de Ellen Unwerth para a Guess foi inspirada e fotografada no Tennessee. Porquê agora? «[Atlanta é] o lugar onde posso crescer e desenvolver as minhas ideias mas é também um lugar que regista já um influxo sólido de novas influências e novas pessoas que trazem ideias e cultura do exterior para a cidade – é um mixing pot [fusão de diferentes culturas]», explica o artista Brandon Sadler no recente documentário da Revista Hypebeast sobre o crescente movimento artístico da cidade de Atlanta. O sentimento de comunidade e o baixo custo de vida são apontados como os principais motivos desta vaga migratória rumo ao Sul. Enquanto nas principais áreas metropolitanos do país, como Los Angeles e Nova Iorque, o preço das rendas continua a aumentar, o mercado imobiliário do Sul garante espaços mais amplos por um menor custo, preenchendo os três primeiros lugares entre os estados onde custo de vida é menor. Um estúdio ou atelier de design são essenciais aos que trabalham na indústria criativa da moda, arte e música. Porém, em cidades como Los Angeles e Nova Iorque, as rendas elevadas têm instigado as comunidades criativas a partir. Áreas metropolitanas como Nashville (Tennessee), Atlanta (Geórgia), Raleigh-Durham (Carolina do Norte) e Nova Orleães (Louisiana) estão conscientes da afluência destas comunidades artísticas e investem em conformidade. Nova Orleães e Nashville criaram espaços de residência e trabalho de baixo custo para artistas, com rendas a partir de 160 dólares por mês. Em Jackson (Mississippi), um bairro inteiro está a ser construído e inspirado na filosofia de placemaking, que releva os espaços públicos frequentados pela população, encorajando o crescimento artístico no seio da comunidade. “Made in South” Depois de uma longa estadia no exterior, a indústria está de regresso a solo americano, fixando-se especialmente na região sul. As indústrias automóvel e aeroespacial brotam nos estados sulistas, mas é o ressurgimento das fábricas têxteis, especialmente as produtoras de denim, que trazem o maior impacto criativo à região. Quando a Cone Denim Mills reabriu a fábrica de White Oak (Carolina do Norte), conhecida pela produção de denim selvedge, em 2012, registou-se imediatamente uma procura deste tipo de tecido, com encomendas da Levi’s e da True Religion. Inspirados pelo regresso deste estilo, casas sulistas como Black & Denim, Billiam Jeans, Raleigh Denim Workshop e Mark Nelson Denim inauguraram fábricas um pouco por toda a região sul. A segunda parte deste artigo continua a abordar o renascimento da região sul do EAU, com enfoque