O novo fornecedor de roupa – Parte 4

Na terceira parte deste artigo (ver O novo fornecedor de roupa – Parte 3), David Birnbaum analisou as motivações e as desvantagens da integração vertical, como estrutura organizacional para a cadeia de fornecimento. Nesta quarta e última parte, o autor do “The Birnbaum Report” revela as vantagens e desvantagens dos clusters e focaliza a sua atenção na empresa vertical virtual. A organização em cluster As desvantagens e dificuldades da integração vertical levaram ao cluster – uma definição nova e revolucionária do fabricante, onde este é definido como estando directamente envolvido apenas no vestuário FOB, mas localizado na proximidade dos seus principais fornecedores. Este cluster foi a primeira tentativa de definir o fornecedor como uma empresa. Aqui, o fabricante é o que possui a sua própria fábrica de vestuário, além de ter acesso directo a fornecedores próximos e independentes de matérias. Em teoria, o cluster tem todas as vantagens da integração vertical com nenhum dos quatro graves problemas anteriormente referidos. Claramente, o cluster é um fornecedor muito melhor do que a empresa integrada verticalmente, assim como a empresa integrada verticalmente é muito melhor fornecedor do que a fábrica FOB. No entanto, o agrupamento tem o seu próprio problema: a localização. A confecção e a fiação são operações completamente diferentes. O local ideal para uma fábrica de confecção pode ser totalmente inadequado para uma empresa de fiação ou tecelagem. Esta inadequação pode estar associada a diferentes factores de custo e diferentes factores de risco. Diferentes factores de custo Um produtor de vestuário está normalmente localizado perto de uma fonte de recursos humanos, porque a confecção é, geralmente, de mão-de-obra intensiva. Uma fiação está localizada onde o custo da electricidade é menor, porque é sempre de energia intensiva. Diferentes factores de risco As empresas de vestuário podem estar localizadas em países em desenvolvimento com governos instáveis, onde uma mudança de governo ou mesmo da política governamental pode resultar na perda da fábrica com a perda completa do investimento. Perder uma confecção pode custar entre 3 a 5 milhões de dólares, mas a perda de uma fiação seria muito mais incapacitante, com prejuízos de 50 a 70 milhões de dólares. Qual o modelo seguinte? Isto leva-nos ao último modelo de estrutura organizacional. Neste caso, a definição do fabricante torna-se a empresa vertical virtual (VVF) – um colectivo de produtores independentes, integrados verticalmente, que se reúnem com o único objectivo de fornecer um cliente com toda a gama de serviços que necessita. Os membros de uma VVF não estão vinculados nem pela propriedade comum nem pela proximidade. Por conseguinte, a VVF elimina os obstáculos inerentes aos modelos anteriores: – Na medida em que todos os membros são independentes uns dos outros, os impedimentos dos produtores verticalmente integrados desaparecem. Cada membro é livre de vender os seus produtos a quem quer que seja. A única altura em que se reúnem é quando servem o cliente VVF. – Na medida em que o relacionamento da empresa vertical virtual é também virtual, os impedimentos do cluster desaparecem. Cada um dos membros pode estar localizado num cluster ou pode estar separado a milhares de quilómetros. A localização é simplesmente uma questão de custo relativo – custos logísticos versus custos do risco e do país. Pode muito bem ser uma VVF bem sucedida começando com os seus membros localizados em diferentes países, mas à medida que as vendas aumentam, os membros podem decidir criar operações através de sucursais em estreita proximidade com os outros. No entanto, a VVF permanece independente da localização física. Valor do conceito VVF A eliminação dos obstáculos é importante. No entanto, o valor real do conceito VVF é que acaba com o tradicional relacionamento cliente/fornecedor, onde cada lado concorre com os outros e nem o cliente, nem o fornecedor, recebem a totalidade dos benefícios de trabalhar um com o outro. Finalmente, a VVF reconhece o óbvio: o fornecedor não pode sobreviver sem o cliente; o cliente não pode sobreviver sem o fornecedor; e ambos devem juntar-se numa única entidade dedicada a fornecer o produto ao menor valor de custo integral. Seguindo a análise: quem será o fornecedor? A resposta é: ninguém. Na VVF, o cliente e o fornecedor fundem-se numa única entidade. Todos os membros permanecem independentes uns dos outros. Nenhuma das partes desiste do lucro e ambos beneficiam com o aumento da poupança.