O novo fornecedor de roupa – Parte 1

A actual recessão trouxe grandes mudanças para o sector do vestuário. Para aqueles capazes de reconhecer e abraçar esta mudança, e que estão na linha da frente, vão abre-se uma janela de oportunidades. Para aqueles que estão inconscientes, renitentes e na retaguarda, esta mudança vai trazer graves problemas, segundo David Birnbaum, autor do “The Birnbaum Report”, uma newsletter mensal destinada aos profissionais da indústria de vestuário. Em mais nenhum lado é esta mudança maior do que no lado do fornecedor, onde toda a indústria têxtil e vestuário está em instabilidade. Na realidade, o actual estado de coisas não é nada de novo. Durante os últimos dez anos, a indústria têxtil e vestuário internacional tem mudado de forma rápida e constante. No entanto, apenas alguns notaram essa mudança e ainda menos foram capazes de entendê-la. Hoje, achamos difícil responder mesmo às perguntas mais básicas: Onde está localizado o nosso fornecedor? Quem é o nosso fornecedor? O que é que o nosso fornecedor faz? Antes de mais, importa pois tentar encontrar algumas respostas para estas perguntas. Começamos pela primeira: Onde está localizado o nosso fornecedor? Ao longo da última década, o fornecedor mudou de “algures” para “todo o lado” e, depois, para “lado nenhum”. Há uma década atrás, esta questão tinha uma resposta relativamente simples. Até à eliminação das quotas, os fornecedores eram geralmente seleccionados por localização. Em 2000, se pedisse a um cliente para definir o seu fornecedor de base, ele começaria por indicar uma localização: trabalho principalmente com a China, a CBI ou o México.” Esta época do aprovisionamento foi caracterizada pela evasão às quotas. Neste aspecto, a localização era o principal factor determinante. Importações de vestuário dos EUA em 2000: Fornecedor Valor (USD)Quota de mercado G. China 10.134 18% CAFTA 8.97316% México 8.413 15% Bangladesh2.116 4% Indonésia 2.055 4% Total 55% A Grande China (China, Hong Kong e Macau) era o fornecedor Nº 1 dos EUA, mas a sua quota de mercado era apenas metade do que é hoje. CAFTA e México, duas regiões isentas de quotas, estavam ambas apenas ligeiramente abaixo, com o Bangladesh e a Indonésia, países com quotas folgadas, bastante atrás. A eliminação das quotas em 2005 mudou as “regras do jogo”. O fornecedor expandiu a sua localização de “algures” para “todo o lado”. Com base na localização, deveríamos ter transferido os fornecedores de um lugar para outro lugar, ou seja, de países isentos de quotas para países isentos de taxas. Mas isso não aconteceu. Com efeito, as exportações dos grandes fornecedores isentos de taxas diminuiu, enquanto que as exportações dos mais sobrecarregados disparou. Verificou-se que os clientes foram conscientemente seleccionando os poucos fornecedores que ainda não tinham livre comércio. Importações de vestuário dos EUA em 2005: Fornecedor Valor (USD)Quota de mercado G. China 14.213 29% CAFTA 9.104 14% México 6.0789% índia 2.9765% Vietname2.7254% Total61% Este foi o princípio do fim da localização como factor-chave e o início da primazia do fornecedor. Este foi o princípio da época regida pela declaração: Prefiro trabalhar com uma fábrica de primeira classe num país de segunda classe, do que com uma fábrica de segunda classe num país de primeira classe». Conforme revela David Birnbaum na segunda parte deste artigo, esta foi também a época do aparecimento do fornecedor transnacional, com múltiplas sucursais localizadas em todo o mundo.