O negócio da China

Segundo artigo publicado recentemente no Financial Times, um economista chinês radicado nos Estados Unidos da América, compara o processo de crescimento chinês com o indiano, e retira importantes ilações sobre a sustentabilidade do modelo de desenvolvimento daquela economia. Estas ilações poderão ser utilizadas na discussão do modelo de crescimento desejado para Portugal. Entre os factores determinantes para o sucesso de um processo de crescimento económico sustentável, o economista destaca: – O verdadeiro teste económico não é a capacidade de atracção de investimento directo estrangeiro de uma economia, mas a existência de uma envolvente empresarial que favoreça o empreendedorismo, apoie a concorrência saudável, a intervenção política seja livre e o enquadramento regulamentar estável; – Para um desenvolvimento económico sustentado, a qualidade e quantidade do capital humano é mais relevante que a do capital físico; – Há uma enorme diferença entre o que é feito num país e o que é feito por um país. O valor está no que é feito pelo país; – A concorrência saudável no mercado interno é a determinante de longo prazo mais importante para a produtividade, porque Sá assim as melhores empresas ganharão; – O sistema financeiro não deve discriminar as pequenas empresas. Para finalizar, afirma que o milagre económico chinês aconteceu não devido aos arranha-céus e modernas auto-estradas, tanto mais que a China só construiu as suas infra-estruturas depois de anos de crescimento económico e de acumulação de recursos financeiros, mas porque, na década de 80, as autoridades puseram em marcha um corajoso programa de liberalização económica e reformas institucionais fundamentais (sobretudo na agricultura), criando um ambiente mais competitivo que alimentou a iniciativa empresarial privada. Para o sucesso a prazo estar assegurado, o autor lamenta o facto de a educação ter sido negligenciada, sobretudo nas populações rurais, o que poderá implicar uma eventual perda de liderança competitiva para a Índia, na medida em que é uma mão-de-obra qualificada que induz o sucesso industrial, e a Índia, neste factor, encontra-se em vantagem.