O monopólio Chinês

A China prepara-se para monopolizar as importações das categorias de vestuário não sujeitas a quotas no mercado norte-americano e comunitário. Esta é a principal conclusão de um estudo apresentado pelo National Council of Textile Organizations (NCTO) na última reunião da OMC sobre a evolução das importações da U.E. e dos E.U.A nas categorias de vestuário liberalizadas até 2005. Os resultados desta análise podem ser resumidos num número: 70%. Com base na evolução dos fluxos do mercado chinês (em valor e volume) para a U.E. e os E.U.A. o estudo prevê que após a abolição total das quotas de importação, o gigante asiático forneça 70% das entradas totais de vestuário para ambos os mercados. De acordo com a análise da tendência patenteada pelas importações das categorias de vestuário liberalizadas em 2002, a China detém actualmente uma quota entre 67% das entradas para o mercado norte-americano e 74% nas entradas para a E.U.. Aliás, só em 2005, os artigos de vestuário cujas restrições quantitativas foram abolidas definitivamente viram as quotas nas importações da China aumentarem de 16% para 39% nos EUA e de 27% para 48% na U.E. De facto, o aumento das exportações da China em 2005 espelhou exactamente o que se passou em 2002 quando foram abolidas as quotas de importação a um reduzido número de artigos de vestuário. Neste contexto, se a China mantiver as actuais taxas de crescimento, o NCTO estima que em Junho de 2007 a quota de mercado chinesa atinja 70% nas categorias liberalizadas em 2005 e não sujeitas a quotas. No Japão e na Austrália, onde as quotas nunca foram usadas, as importações de vestuário da China representam 80% das entradas totais. A análise do NCTO avalia ainda o valor das importações das categorias ainda sujeitas a quotas. De acordo com os dados, as importações de artigos sujeitos a quotas representam 70 mil milhões de dólares. Todavia, as quotas têm os dias contados. Em 2009 não haverá mecanismos de salvaguarda e não há nenhum sistema que os substitua. É com base neste cenário que a NCTO faz o apelo à OMC no âmbito do Doha Round para que crie um sistema de restrição às importações do gigante asiático, caso contrário, a China deverá conseguir o monopólio do fornecimento de vestuário a nível mundial e a produção nos outros países deverá cair radicalmente.