Quando imaginamos uma loja personalizada, a primeira ideia que surge é provavelmente uma loja exclusiva onde artesãos qualificados atendem uma clientela reduzida e abastada. No entanto, para os fabricantes de produtos personalizados que arrecadaram financiamento de capital de risco nos últimos anos, essa imagem não poderia estar mais longe da realidade. Combinando modelos de comércio electrónico, marketing de média social e cadeias de aprovisionamento provenientes de vários continentes, uma nova geração de retalhistas está a adoptar uma abordagem de mercado de massa no que tem sido tradicionalmente um negócio caseiro. Os investidores de risco acreditam que essas empresas de design personalizado têm futuro. Segundo a Thomson Reuters, o capital de risco tem investido mais de 244 milhões de dólares em 16 retalhistas e fabricantes de bens de consumo personalizado, incluindo 150 milhões de dólares em 10 dessas empresas, nos últimos dois anos. A maioria é empresas de comércio electrónico, que operam websites onde os utilizadores desenvolvem e compram um produto, como no caso da Chocri, um vendedor com sede em Berlim de «barras de chocolate personalizadas» que permite aos clientes a mistura e combinação de ingredientes, à semelhança do que acontece com uma pizza. Para ajudar os clientes a lidarem com a abundância de opções, os retalhistas também estão a incorporar redes sociais, como no caso da Infectious, sedeada na cidade norte-americana de São Francisco, que produz embalagens personalizadas para iPhones e outros dispositivos. O que é notável nestas recentes iniciativas de personalização é a velocidade com que muitas têm crescido e as receitas que os primeiros investidores estão a gerar. Um dos primeiros beneficiários do capital de risco, a Vistaprint, que arrecadou 77 milhões de dólares entre 1997 e 2004, tem actualmente uma capitalização de mercado de cerca de 1,65 mil milhões de dólares. A empresa opera um site de comércio electrónico onde os utilizadores podem criar e comprar cartões de visita personalizados, impressos, livros, t-shirts e outros produtos. Entrou em bolsa no ano 2005 e registou receitas de 670 milhões de dólares no ano fiscal que encerrou em Junho, um aumento anual de 30%. Outra empresa veterana na área da personalização é a Zazzle, que conta com 11 anos de idade e ainda é privada. A empresa é rentável e tem uma receita anual de execução superior a nove dígitos, de acordo com Jason Kang, vice-presidente de marketing da Zazzle. A empresa sedeada na Califórnia vende cerca de 40 produtos diferentes, como t-shirts e canecas que os clientes podem adornar com as suas próprias fotografias e desenhos. Mesmo os recém-chegados estão a registar receitas que se aproximam dos oito dígitos. Com sede em Dallas, a J. Hilburn & Co., uma empresa com três anos que comercializa camisas personalizadas, vende actualmente cerca de 8.000 unidades por mês, de acordo com o co-fundador Hil Davis, o qual espera que as vendas da empresa quase dupliquem no próximo ano. Os fãs de empresas de personalização dizem que as vendas actuais representam apenas uma amostra do que está para vir. «Esta ideia de usar a tecnologia para permitir que produtos do mundo real sejam criados, acho que está apenas a começar», considera Scott Johnson, sócio e director da New Atlantic Ventures e investidor na Fashion Playtes, que gere um site on-line onde as adolescentes desenham as roupas que mais tarde podem comprar. Johnson acredita que os artigos feitos sob encomenda podem ser competitivos em termos de custo com os produtos das prateleiras. Na Fashion Playtes, por exemplo, a confecção segundo as especificações do cliente aumenta os custos de produção, mas a empresa compensa estes custos através do seu modelo de distribuição de baixo custo através da internet. Acima de tudo, segundo Johnson, os custos da personalização equiparam-se aos custos de suportar as lojas de retalho como a Gap. Isso é importante, refere, porque, embora os consumidores valorizem os produtos personalizados, são mais reticentes em pagar um acréscimo de preço acentuado. «Não se pretende que seja um bem de luxo. Pretende-se que apresente preço que uma mãe suburbana possa pagar».











