O Futuro está na nanotecnologia?

Apesar dos seus quase 50 anos, somente neste século a nanotecnologia se tornou num tema escaldante, não só no mundo académico mas também para um leque de indústrias que aspira a melhorar a performance dos seus produtos através da sua aplicação. Como tecnologia em tenra idade, oferece a qualquer “jogador” mundial a possibilidade de participar e competir. Nesta era de constante mudança, a nanotecnologia surge sobretudo como uma “arma de arremesso”, que permite alargar horizontes e romper fronteiras. Objecto de diversas obras de ficção científica nos mais variados formatos, esta área serve hoje como imagem promocional de governos que vêem na sua aposta uma forte componente de desenvolvimento económico. Em particular, a nanotecnologia é uma reconhecida aposta estratégica do governo dos Estados Unidos, pioneiro nesta área, que procura transformá-la no motor da próxima revolução económica. Os EUA acenderam o rastilho, e Hong Kong pretende alimentá-lo. Com efeito, o portento económico do Extremo Oriente criou, no passado mês de Abril, o NAMI, um centro de I&D para a nanotecnologia e os materiais avançados. O novo centro, financiado pelo próprio governo, está sob a alçada da Universidade da Ciência e Tecnologia de Hong Kong (HKUST), que faculta infra-estruturas e apoio administrativo, mas opera de forma completamente independente da sua “progenitora”. Ka-Ming Ng, o futuro director-executivo do NAMI, explica que as missões do centro são «actuar como força condutora do mercado, desenvolver competências nucleares em nanotecnologia e materiais avançados que permitam criar produtos inovadores e formar recursos humanos neste campo». O NAMI poder-se-á revelar um verdadeiro elefante branco. Durante os próximos 5 anos, os custos de operação do centro nanotecnológico vão ascender a cerca de dez milhões de euros por ano, consumidos principalmente pelos projectos de I&D e as linhas piloto. Indústrias como a têxtil, relojoaria e joalharia, farmacêutica e construção foram identificadas como altamente beneficiárias da nanotecnologia. Para ajudar essas indústrias locais a aplicar a nanotecnologia e os materiais avançados no seu negócio, foi fundado em Setembro de 2004 o Consórcio da Nanotecnologia e dos Materiais Avançados. O propósito deste consórcio é criar uma plataforma que facilite a interacção entre os mundos industrial e académico, assim como um fórum onde especialistas dos diferentes sectores podem juntar-se. O sucesso da HKUST na investigação em nanotecnologia nos últimos anos foi determinante para que o governo de Hong Kong lhe atribuísse o papel que hoje desempenha no NAMI. Os cientista do HKUST conseguiram, por exemplo, fabricar os mais pequenos nanotubos de carbono de parede singular do mundo, eleita em 2000 como uma das 10 mais importantes descobertas pela Academia Chinesa das Ciências e pela Academia Chinesa da Engenharia no âmbito do progresso científico e tecnológico. Também nesse ano foi considerada pela publicação Chemistry & Engineering News como uma das quatro mais importantes realizações no campo dos nanomateriais. Apesar dos avultados investimentos e esforços de I&D de americanos e seus seguidores, a nanotecnologia permanece ainda sobretudo uma estratégia de marketing e publicidade com evidente interligação com a procura do mercado, cada vez mais ávido de vestuário com características de performance. Actualmente, a nanotecnologia abarca muita coisa que nada tem a ver com a verdadeira definição estabelecida por Eric Dexler (ver notícia do Portugal Têxtil). Deste modo, torna-se mais do nunca premente assegurar que o produto rotulado “nano” foi realmente elaborado através da nanotecnologia e não simplesmente através da química, para não vender “gato por lebre”. Sem esquecer os perigos tóxicos inerentes a uma desastrada manipulação, demonstrados por Ken Donaldson, professor de toxicologia respiratória da University of Edimburgh, com a inalação das ultrafinas partículas de carbono.