O Fórum dos Recordes

Mesmo antes de ter dado o “pontapé de saída”, a 8ª edição do Fórum Têxteis do Futuro (FTF) ficou logo marcada por um novo recorde de expositores: 20. Quanto ao novo recorde de inovações no terreno, foi a perfeita ilustração das crescentes competências nacionais na área dos têxteis técnicos assim como da importância cada vez maior que este certame assume como montra da I&D levada a cabo além fronteiras. Neste último âmbito, este Fórum foi o palco eleito para a exposição de 2 admiráveis exemplos: as avançadas tecnologias têxteis desenvolvidas pela empresa suíça Schoeller (PCM, 3XDry e Nanosphere) e o fato high tech para motociclista (prémio Inovação Techtextil/Avantex 2005) concebido pela Escola Superior de Saxe Ocidental (Alemanha).

A maior quota-parte das novidades ficou, por razões óbvias, por conta dos recém-chegados – Universidade do Minho, Fifanta, Invescorte, Cruz de Carvalho (Tape/Sons) e a francesa Europrotect – que não pouparam esforços para realizar uma bem-sucedida estreia sob o signo da inovação têxtil.

«Esta é a primeira feira da Fifanta», revela o presidente Telmo Fernandes. «E é para ter continuidade não só em Portugal como também no estrangeiro». A face mais visível da empresa é a sua gama de produtos têxteis licenciados com marcas de renome nacional e internacional como “Rock in Rio” e “Batatton”, mas a Fifanta possui também um vasto know-how e experiência em não-tecidos agulhados e têxteis-lar com várias e variadas características funcionais: anti-stress, anti-bacterianas, anti-odores, anti-alérgicas,… «Apostamos em produtos inovadores, diferenciados e com claras mais-valias», sustenta Telmo Fernandes.

A participação do Centro de Ciência e Tecnologia (2C2T) da Universidade do Minho na Techtextil/Avantex 2005 revelou um novo talento seu para o negócio. «Esta nossa estreia deve-se a uma vontade maior de divulgar os nossos projectos de investigação e de ensino, assim como contribuir para uma imagem mais positiva e estruturada do sector», declara Fernando Ferreira, director do 2C2T e do Departamento Têxtil da Universidade do Minho. «Esta participação faz todo o sentido na medida em que já ninguém tem dúvidas que o futuro passa por uma maior integração de conhecimento e mais-valias no negócio têxtil». Deste modo, o 2C2T está decidido a mostrar que inovação e rentabilidade são hoje dois conceitos indissociáveis para um sector ao qual não resta outra alternativa que não seja criar valor – seja ele nos processos, nos produtos ou nos serviços – para ter direito a existir face à declarada “ameaça amarela”. 

A Europrotect France, uma das líderes europeias em tecidos técnicos, constituiu a face mais internacional deste FTF. A empresa francesa expôs na Exponor uma gama alargada de tecidos e malhas, patenteados, com características anti-fogo, elevada resistência mecânica à perfuração, tracção e abrasão, propriedades barreira e anti-estáticas. Estes produtos, à base de fibras de alta performance como as fibras de carbono e de aramida, destinam-se desde aplicações industriais e hospitalares até utilizadores-finais como bombeiros e polícias. «Participámos no FTF com o objectivo de encontrar os confeccionadores locais e analisar as possíveis formas de colaboração», declara Gonzague Saunier, responsável comercial. «Temos já uma boa posição no mercado português que, embora seja limitado, encontra-se em pleno boom na sequência de um maior rigor legislativo no âmbito do vestuário de trabalho». A Europrotect construiu uma grande célula em I&D que lhe possibilita encontrar as melhores soluções no domínio da protecção humana. «Esta é a nossa verdadeira força, que nos permite oferecer produtos tecnologicamente tão avançados. É este o trunfo europeu que assegurará a sobrevivência da ITV na Europa», afirma Gonzague Saunier. 

Mas até as mais experientes nestas andanças como a Lousafil e a LMA surpreenderam pelo arrojado das suas propostas. Prosseguindo a sua aposta no desenvolvimento sustentável, a LMA apresentou novas malhas à base de fibra de milho. «Esta fibra, biodegradável, confere um excelente toque, propriedades anti-ruga, elevado conforto, alto poder de recuperação das formas e uma extraordinária leveza aos tecidos e malhas resultantes», explica Filipa Pereira, assistente de direcção na LMA. Mas a empresa tirsense apresentou uma outra inovação de peso: uma malha dupla frontura (tridimensional) com elasticidade.

Quanto à Lousafil, a inventora do colete português à prova de bala continua a sua cruzada em prol do «vestuário hospitalar, policial e militar, aproveitando todos os nichos de mercado», tal como adianta Manuel Rafael. «Às vezes é desanimadora a forma como os governantes actuam. Felizmente há homens como Manuel Serrão e Fernando Merino para impulsionar o desenvolvimento do sector têxtil nacional».

A Alta Visibilidade apresentou nesta edição uma gama alargada de artigos para a segurança rodoviária, «que está em franca expansão, em especial no segmento de criança», explica Ermelinda Machado. «Na sequência da Techtextil, estamos a desenvolver novos produtos ligados à protecção e segurança, assim como novos mercados. A participação nesse importante certame internacional teve um papel preponderante na expansão além fronteiras da nossa empresa». Para a administradora da Alta Visibilidade, esta edição do FTF ficou aquém das suas expectativas, pois a sua última participação «foi excepcional». No entanto, reconhece que, em termos de organização e infra-estruturas, o salão Modtissimo «é tão bom ou melhor que qualquer salão internacional».

Fitas retardadoras de chama, fitas impermeáveis, fitas anti-UV, fitas aromáticas,… A Artefita domina efectivamente o negócio da fita, assim como o das cintas de fixação de cargas e de elevação, que comercializa sob a sua marca própria Knot. «Neste momento, com 4 feiras efectuadas – 2 em Portugal e 2 no estrangeiro – pode dizer-se que cumprimos os objectivos de divulgação propostos para 2005», declara Gonzaga Oliveira, gestor da empresa. «O balanço desta edição do FTF é positivo já que efectuámos diversos contactos».

A Ert e a Dacon constituem dois exemplos de referência de um bem sucedido processo de conversão dos têxteis tradicionais para os têxteis técnicos.

A primeira, oriunda do tradicional sector do calçado e com reputadas competências em laminagem, aposta agora também seriamente na termomoldagem. Esta tecnologia, em franco desenvolvimento na empresa, encontra vastas aplicações nas áreas do desporto, protecção e no ramo automóvel. «É uma tecnologia deveras interessante que vem colmatar necessidades latentes na área da protecção, e que está a permitir-nos entrar num novo nicho de mercado», afirma Anabela Silva, responsável pela inovação e desenvolvimento. «Os têxteis técnicos nacionais, tal como dizia o Jornal Têxtil de Setembro, estão a dar cartas».

A segunda, na base especialista em confecção de vestuário moda para marcas como Onara e Next, mereceria, se existisse, o prémio inovação FTF pelo seu novo fato, com respectivo avental, para a área da metalurgia e da fundição. «É um fato que tem a particularidade de proteger contra os salpicos graças a tecidos com elevada resistência. Quanto ao avental, apresenta uma película de alumínio que confere uma elevada protecção contra o calor radiante», explica o seu administrador António Oliveira, ao mesmo tempo que se congratula com o sucesso da sua empresa no FTF. «Até ao momento, foi a nossa melhor edição. Senti que os visitantes vinham realmente à procura daquilo que tínhamos para oferecer».