Prestes a abrir a sua primeira loja em Portugal, prevista para Março de 2004, a marca sueca de mobiliário e artigos para o lar conta com quase 60 anos desde que foi registada pelo seu fundador, Ingvar Kamprad, quando tinha 17 anos. Com o registo da sua marca, Kamprad começou por vender via catálogo objectos como meias, molduras, relógios e bijutarias. Aos 22 anos, Kamprad passou a vender móveis. Ao fim de 4 anos passou a desenhá-los. Um ano depois, em 1955, a Ikea descobre a chave do sucesso: mobiliário de fácil montagem vendido em embalagens planas. Em 1958, em Imhult, abria a primeira loja Ikea na Suécia. A internacionalização começou 5 anos depois pela Noruega, seguindo-se 10 anos depois a Suíça. Em Março de 2004, Portugal será o 34º país a receber a Ikea, naquela que será a maior loja da marca na Península Ibérica, localizada em Alfragide. A Ikea quer ganhar a prazo 10% de quota em Portugal, ou seja, um volume de vendas idêntico ao que é actualmente gerado pelos 5 principais players deste mercado: Moviflor, Conforama, Habitat, Dimensão e Cerne. A marca é conhecida pelos preços extremamente baixos que pratica sem descuidar do design, da variedade, do portefólio e da qualidade, que é definida como sendo a suficiente para que o produto cumpra as suas funções. Para além dos factores de valia da marca, no que respeita a preço, design e qualidade, o facto de vender móveis em embalagens planas, que o cliente transporta e monta por sua conta e risco, permite uma redução de custos entre os 25% e os 50%, face às médias tradicionais do sector. Existe também uma forte aposta na logística e distribuição, que culminou recentemente na criação da companhia de transportes ferroviários Ikea Rail AB, de forma a permitir poupanças nos custos de transporte. No total, o processo de embalagem permite poupanças globais na ordem dos 70%, tendo em conta os custos de transporte e armazenamento e a diminuição de custos indirectos, associados ao risco de deterioração dos artigos durante um processo que termina no momento em que o próprio cliente se dirige ao armazém de cada loja e, com base na etiqueta de cada artigo, levanta a compra. O catálogo é a principal ferramenta de marketing da Ikea, sendo a sua procura capaz de suplantar qualquer best-seller, com uma distribuição anual de 131 milhões de exemplares. A temática do catálogo é escolhida anualmente, de forma a ir ao encontro às prioridades no lar dos consumidores. Os estudos realizados sobre tendências de consumo, levaram a Ikea a apresentar um catálogo subordinado ao tema «Viver com crianças». Foram introduzidos 33 novos produtos, cuja funcionalidade e mais-valia, do ponto de vista do desenvolvimento físico e emocional, foram avaliadas por uma equipa de especialistas. Sendo ainda realizado o aproveitamento destes conhecimentos, não só para a avaliação do produto final, mas como base para a formação dos designers, no sentido de melhorar os produtos logo de raiz. O design, sustentado pelos processos de produção, embalamento e transporte, assume o papel de ponto de partida fulcral para a marca. Os produtos são desenvolvidos tendo por base o preço a atingir, sendo as considerações sobre a concepção, dependentes de limites específicos. Tendo por base os objectivos ao nível de custos limite e tendências de mercado, a marca não descuida o desenvolvimento ao nível do seu impacto em toda a cadeia produtiva e distributiva, procurando optimizar as soluções encontradas para o produto desenvolvido. Este tipo de abordagens, capazes de abranger todas as fases do ciclo de vida do produto, são conseguidas através do envolvimento de equipas multidisciplinares na fase de concepção do produto, função que não cabe apenas ao designer e ao marketing, mas que engloba o feedback de responsáveis por todas as áreas, desde o fornecedor até ao cliente final, passando pelos responsáveis de logística e até ao próprio planeamento da armazenagem na loja. Quanto aos materiais utilizados, a Ikea procura os que, dentro dos mesmos parâmetros de resistência, apresentam custos mais baixos. Nessa lógica, a relação com os fornecedores assume importância ímpar. Implica contratos de longo prazo e encomendas de grandes quantidades. A Ikea contrata quem oferece melhores condições, independentemente da localização geográfica do fornecedor (em Portugal existem 31 empresas que vendem 70 milhões de euros/ano à Ikea). O relacionamento duradouro que a Ikea mantém com os seus fornecedores permite à empresa obter outras mais-valias. Vários produtos do catálogo Ikea resultam de adaptações de objectos que, à partida, nada teriam que ver com mobiliário ou artigos para o lar. Desta forma, evitam-se investimentos nas linhas de produção, recorrendo à utilização dos mesmos moldes para a realização de diferentes artigos.










