O Dínamo é uma oportunidade para as empresas mais dinâmicas»

O Portugal Têxtil (PT) falou com Braz Costa, administrador do IAPMEI, sobre o novo enquadramento do Dínamo(Dinamização dos Sectores Têxtil, Vestuário e Calçado), tão ansiado pelo sectores têxtil, vestuário e calçado. «Para começar, vou contextualizar a questão: o Dínamo não é um programa, mas uma orientação estratégica, que constitui uma nova oportunidade para as empresas mais dinâmicas, com medidas concretas, que permitam aumentar a confiança dos agentes económicos. Também devo sublinhar que a figura de “Gestor do Dínamo” deixou de existir, sendo que quem gere a estratégia é o IAPMEI, no seu todo». Esta estratégia, enquadrada no recente realinhamento do PRIME com o Plano Tecnológico (ver artigo PT), e que conta para já com um orçamento de 32 milhões de euros,é baseada, como explicou Braz Costa, para esta primeira chamada, em dois eixos fundamentais: valorização competitiva dos produtos, como por exemplo, através da incorporação de tecnologia, moda e design, e desenvolvimento e exploração de novos mercados. Como novidade, o administrador do IAPMEI revelou que a equipa responsável pelo Dínamo vai concentrar o seu trabalho no Gabinete de Empresa do IAPMEI no Porto, «uma vez que cremos ser no norte que há massa critica adequada para podermos fazer uma avaliação competente dos projectos apresentados». A nova “roupagem” dá resposta a uma velha frustração do sector, que era a questão financeira. «O Dínamo não tem orçamento próprio. A origem do financiamento é o PRIME. A diferença reside no facto do Ministério da Economia ter alterado o próprio PRIME, de forma a permitir ao Dínamo ter um pacote financeiro exclusivo para empresas dos sectores TVC que apresentem projectos consentâneos com a estratégia Dínamo. Abrirá em breve um período de apresentação de candidaturas, a que demos o nome Fase», explicou o administrador do IAPMEI. Também adiantou que «já estamos a trabalhar na definição do pacote que vai financiar os projectos a ser desenvolvidos pela envolvente empresarial, como por exemplo, das associações ou dos centros tecnológicos, que vai permitir, dentro em breve, ao Dínamo abrir uma Fase para que estas instituições possam apresentar as suas candidaturas». Quanto a questões operacionais, Braz Costa explicou que, após a publicação da regulamentação específica, as empresas terão 80 dias úteis para apresentação dos seus projectos, não funcionando o Dínamo com base em candidaturas abertas. Posteriormente, todos os projectos apresentados dentro do prazo estipulado, desde que cumpram, como é óbvio, uma série de critérios definidos “à priori” pelo próprio Dínamo, são avaliados, tendo sempre, como fez questão de realçar Braz Costa, em conta o contexto geral da estratégia da empresa, são hierarquizados com base na sua qualidade e no âmbito de cada um dos sistemas de incentivos, ou seja o SIME, SIPIE, SIME I&DT, DEMTEC e SIME Internacional, e só são aprovados os melhores. «Creio que o processo não podia ser mais simples e transparente, além de, na fase de hierarquização, promover, implicitamente, a competitividade “inter-pares”, o que na nossa óptica, é muito positivo e salutar», afirmou Braz Costa. Caso seja bem sucedido, o Dínamo poderá ser replicado noutros sectores de actividade. Braz Costa não quis deixar de referir que a estratégia Dínamo, apesar das adaptações efectuadas, necessárias para ser posta ao serviço efectivo do sector, é a mesma que foi elaborada por Manuel Carlos e apresentada em Março de 2004, «que foi validada por diversas instâncias, desde o Grupo de Alto Nível criado pela Comissão Europeia, até ao Parlamento Europeu, e passando pelo estudo ITV@2010, e é de realçar que está em perfeita consonância com a Estratégia de Lisboa e com o Plano Tecnológico. Só lamentamos que não tenha sido aplicado mais cedo. Assim, uma vez que houve determinação por parte do Governo de, finalmente, reunir as condições necessárias para a execução das medidas, agora só há tempo para olhar para a frente, e trabalhar».