O coração verde da Acatel

Bases e processos sustentáveis e novas tecnologias foram os pilares da mostra da empresa do grupo Impetus na Première Vision, que ilustram a evolução que a especialista em tinturaria e acabamentos tem encetado nos últimos anos.

Susana Serrano

Conhecida pelos seus estampados, na Première Vision a Acatel quis surpreender os clientes com propostas de malhas e tecidos lisos. «Temos uma tinturaria que tem uma capacidade de 15 toneladas/dia. Porque não levar também lisos?», questiona a CEO Susana Serrano. Mas estes não são uns lisos quaisquer, sublinha. «São lisos tingidos de forma tradicional, lisos tingidos com minerais, lisos tingidos com corantes vegetais», enumera. «São uma panóplia de lisos em que podemos oferecer um serviço ao cliente com as diferentes tecnologias que temos», justifica.

Good Earth Cotton, o algodão australiano carbono positivo, e Circulose, a fibra celulósica reciclada da Renewcell, tingida com pigmentura – uma inovação que valeu à Acatel a distinção Best Product nos ISPO Textrends Awards – fazem igualmente parte das soluções que apresentadas. «Com a pigmentura – em que o rolo é acabado e tingido ao mesmo tempo – conseguimos saltar etapas», realça a CEO. O processo, que é mais rápido do que o convencional, permite ainda fazer fluorescentes. «Já temos um catálogo de fluorescentes que conseguimos fazer ultrapassando essas fases», indica.

Para além das múltiplas possibilidades de produtos mais ecológicos, a Acatel realçou igualmente as tecnologias de rastreabilidade dos produtos, onde se inclui a tecnologia FibreTrace mas também o desenvolvimento interno que permite, através de um QR Code, aceder a informação não só sobre a composição e instruções de lavagem, mas também sobre a performance, os processos usados e o controlo de qualidade. «Falta a pegada ecológica, que no futuro irá estar na mesma ficha de produto. Já temos todos os equipamentos instalados em todas as máquinas e estamos a recolher dados. Vamos agora passar ao processo seguinte que é transformar os nossos dados em informação. Gostava de ter isso até ao final do primeiro semestre, mas há muito trabalho por fazer», assume Susana Serrano.

Para a CEO, «a Acatel destaca-se essencialmente pela rapidez na área da inovação. Temos uma capacidade de desenvolvimento muito grande, de inovar saindo completamente fora da caixa» e é isso que a empresa focou na participação na Première Vision.

Em 2023, o volume de negócios da empresa, que exporta diretamente 25% das suas vendas, ficou aquém dos objetivos traçados pela empresa e «ligeiramente abaixo» do ano anterior. Já 2024 começou com «muita incerteza», resume Susana Serrano. «A incerteza muitas vezes provoca medo e estamos numa fase de medo, mas acho que isso vai passar», acredita. «No primeiro trimestre somos capazes de andar um pouco abaixo das nossas necessidades e da nossa expectativa, mas estou convencida que rapidamente isto voltará a aumentar. Mas vamos passar dois ou três meses um bocadinho mais complicados», acrescenta a CEO.

França e Espanha são os principais mercados, a que a Acatel somou também o Reino Unido, que pretende reforçar, ao mesmo tempo que tem os olhos postos nos mercados nórdicos. «Há muito potencial», salienta, reforçando que as metas neste domínio são «consolidar» os países de exportação, reforçando sempre o seu cariz cada vez mais sustentável. «Temos um foco muito grande na circularidade, na sustentabilidade e na transparência», conclui.