O Comércio livre é uma Utopia»

A ITKIB, a maior Associação Têxtil e de Vestuário da Turquia, uma das suas maiores empresas – o Grupo Orka –, e uma das mais conhecidas estilistas turcas da actualidade – Özlem Süer –, foram recebidos por António Amorim, presidente do CENESTAP e do CITEVE e pela ATP para uma visita ao centro tecnológico de Famalicão, numa resposta a um primeiro convite para o Istambul Fashion Show no ano passado. Este despoletou «uma interessante relação de cooperação que já tem dado alguns bons frutos», segundo Paulo Vaz, DG da ATP, e permitiu agora à delegação turca conhecer a zona mais representativa da ITV nacional, acrescentando ao centro Tecnológico a visita a empresas, e as propostas da moda lusa pelo Portugal Fashion, que decorreu até ao fim-de-semana. Depois das apresentações do próprios CITEVE e do CENESTAP, pelo seu presidente, seguiu-se uma apresentação do sector preparada por este último organismo, por intermédio de Isabel Lisboa, concluída pela avaliação da ITV até2005, onde destacou que «a descida do volume de negócios sendo menor do que a do emprego, permite ainda assim concluir um ganho de produtividade até esse ano». E foi sobre a liberalização e 2005 que a comitiva presente – que se disse entretanto muito «impressionada» pelo facto de se ter apercebido que Portugal conta com investimentos em todas as fases da fileira -, destacou a descrença num comércio livre, sem proteccionismos, num contexto da ameaça de medidas proteccionistas e nacionalistas, como tónica dominante da cimeira de lideres europeus que decorria nesse dia. Questionados pelo PortugalTêxtil (PT) sobre este temor, e sobre os objectivos da OMC em 2005, os empresários foram unânimes em fazer dois destaques: que o comércio livre é uma utopia, dado que as várias indústrias nacionais vão tentar sempre implementar medidas proteccionistas. «Temos de nos defender», frisaram. No entanto, anunciaram este como um cenário diplomático comercial natural, mas que tem de ter regras, e não se pode permitir a concorrência desleal a tantos níveis como a que se assiste actualmente por parte de alguns países orientais, nomeadamente da China. Interrogada pelo PT sobre os possíveis factores diferenciadores da moda turca num momento de máxima expressão de uma global fashion, a reputada estilista Özlem Süer destacou a possibilidade de incutir nas colecções as influências otomanas daquela que é a porta oriental da Europa, e de competir com base numa boa simbiose entre estilistas e empresários, o que caracteriza um sector que viu crescer os dois com igual importância desde sempre. Isto, numa altura «em que se assiste à queda deste modelo na Europa», referiu. «E porquê?», perguntou o PT. «Precisamente por um divórcio presente existente entre os dois», respondeu. Salientou a cada vez maior projecção da moda dos países ditos em vias de desenvolvimento, como o Egipto, ou a Índia, cujos designers também são apoiados pela Turquia. Finalizou referindo que o seu país realizou recentemente uma grande apresentação dos seus designers num museu em Londres. António Amorim não acredita no proteccionismo, e considera a cooperação «vantajosa e inevitável», num mundo onde a moda é cada vez mais global. A comitiva visitante foi unânime em ver vantagens na cooperação, pois «Portugal tem design, inovação, tecnologia e produção, e o mesmo se passa na Turquia, pelo que o intercâmbio industrial, comercial e cultural, até em iniciativas conjuntas de moda, ou feiras, pode ser muito proveitoso, tanto no têxtil como no vestuário», expectativas comummente partilhadas pela ATP anfitriã.