O caminho para o sucesso: cooperação

“O têxtil tem de aproveitar as sinergias que existem e tem de cooperar para prevenir que alguém tente inventar, outra vez, a mesma coisa”. Estas foram as palavras que Jörg Hintz, director da revista alemã TextilWirtschaft, dirigiu aos 110 participantes da conferência Join the Internet, no passado mês de Dezembro. Os meses passaram, mas os objectivos mantêm-se os mesmos. “Todas as escolas alemãs têm uma ligação à Internet, mas nas empresas da área de têxteis, isso não se verifica”, diz o Marcus Cremer, sócio gerente da Fashionovation.net GmbH. “As empresas de tamanho médio estão atrasadas neste aspecto e o ramo de moda está entre os mais atrasados”, foi o seu comentário. Segundo Marcus Cremer, a situação na área do Electronic Data Interchange (Intercâmbio de dados através de meios electrónicos) é deprimente. O ramo têxtil está a espera que esta situação se resolva, mas “o sucesso real é quase nulo”. Para o gerente só há uma maneira de resolver este dilema: aumentar a utilização de meios informáticos, utilizando o WebEDI. O WebEDI é um sistema em que os fornecedores disponibilizam os seus dados através da Internet e o comércio utiliza-os para os seus negócios. Podem ser integrados nos sistemas de gestão da mercadoria de cada empresa e com cada troca de informações o sistema actualiza os dados. É aqui exactamente onde se encontra um dos maiores problemas, já que muitos dos fornecedores de sistemas de gestão da mercadoria, não conhecem suficientemente as necessidades da indústria e do comércio. Mas, os procedimentos efectivos e a troca de informações entre os fornecedores e os clientes, representam factores decisivos para o futuro da têxtil. Este aspecto é muito mais importante do que sites complicados na Internet, cheios de animação mas quase sem efeito. Marcus Cremer afirma que o número de empresas que compreendem este facto e reagem a ele tem aumentado, pois elas tentam conseguir vencer os desafios da idade electrónica através de novas formas de colaboração. A palavra-chave neste aspecto é o Colaborative Planning, Forecasting and Replenishment – CPFR (Colaboração no planeamento, no prognóstico e na remessa suplementar). Para esta colaboração funcionar, é preciso que os parceiros estejam dispostos a colaborar intensa e muito abertamente. Leo Flatmann, da Fashionconsult, apresentou uma proposta com um modelo possível para este tipo de cooperação. A sua empresa, em conjunto com a empresa Hiltes, desenvolveu o Fashion Intranet. Segundo Leo Flatmann, “a Fashion Intranet é uma ferramenta de informação para o comércio a retalho e um suplemento aos sistemas de gestão de mercadoria”. O sistema deve funcionar como uma base de troca de informações e experiências e, também, ser adaptável a vários sistemas de cooperação entre o comércio, os produtores e as associações da área. Este programa possibilita também aos comerciantes aproveitarem os dados de vendas dos outros parceiros do grupo. O programa analisa os dados de venda e das colecções e fornece-os às outras empresas da rede. Assim, os gerentes das empresas podem avaliar a situação do mercado e reagir de uma maneira adequada. “Efficient Consumer Response” (ECR) não é nada de novo: o produto certo a tempo certo no sítio certo ao preço certo”, diz Winfried Hubertus da Triumph International, Munique. As novas tecnologias simplesmente facilitam a realização deste velho lema do marketing. Para a Triumph, o ECR começa já nas lojas. A empresa faz uma avaliação juntamente com o director da loja, decide o volume de mercadoria e toma conta de um fornecimento efectivo da mercadoria. A base deste processo é a EDI. Verificar quanta mercadoria ainda está disponível na loja e transmitir esta informação demora muito tempo e causa despesas elevadas. “Através da EDI, o comerciante poupa tempo e dinheiro ao contrário de uma avaliação manual”. A Triumph estabeleceu uma troca de informações através de meios informáticos só com 60 clientes. Mesmo assim, está confiante e acha que as empresas vão aproveitar as possibilidades que a informática pode oferecer ao ramo. As vantagens são tão visíveis que falam por si próprias. “O comerciante precisa de cerca de 20% menos de mercadoria e a escolha é maior.” Mesmo assim, aconselha que, no início, as empresas devem manter as suas estruturas antigas de encomenda para garantir que não ocorram erros durante a fase de introdução do EDI. Mas a confiança chega rapidamente, diz ele, “vocês vão reconhecer que basta puxar um botão e a encomenda é feita”. São imensos os modelos de comunicação que estão disponíveis para facilitar o trabalho das empresas. A facilidade e rapidez de utilização, a comodidade com que as encomendas e as revisões de stocks podem ser feitas, estão ao alcance de todos os que entram na cadeia, desde os fabricantes, passando pelos fornecedores e chegando aos vendedores.