A Ilha da Madeira cultiva com tradição e determinação a riqueza artesanal ancestral dos bordados. Feitos inteiramente à mão, o bordado da Madeira é controlado, peça a peça, por um organismo oficial. Os efeitos da mundialização quase fizeram desaparecer esta arte da Ilha. Somente uma dezena de ateliers subsiste e mostra com destreza os quatro mil bordados realizados por talentosas mãos madeirenses. Nos anos 60, a Ilha contava com 60 empresas de bordados da Madeira. «É com saudade que se recorda essa idade de ouro, onde os artigos para bebé se vendiam como pães para a América Central e sobretudo para a América do Sul», observa o empresário João Viola. A sua empresa, situada no coração do Funchal, é considerada uma das mais fortes do sector. Criada em 1935, realizava, nos tempos áureos dos anos 50 e 60, um volume de negócios de milhões de dólares e empregava cerca de 150 pessoas. Hoje, e, após uma viragem saudável para os têxteis-lar, a empresa possui apenas 30 colaboradores. O seu volume de negócios foi de 684 mil euros em 2006, o que representa menos 20% do que em 2005. Com o objectivo de não deixar afundar o negócio dos bordados da Madeira, muitas empresas tiveram que repensar o seu negócio. Para apoiar estes empresários, o Governo Autónomo da Madeira delegou o organismo oficial Ivbam (Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira) para estimular a participação das empresas de bordados nas feiras internacionais como a Maison & Objet. De igual forma, este organismo assinou uma parceria com o gabinete francês de design Nelly Rodi, que permite às empresas estar dentro das tendências de moda. Para tal, foi criado um caderno de tendências específico para o sector, após o gabinete francês ter permanecido seis meses nos ateliers de bordados da Madeira. A empresa Maria Alice G. Abreu é uma das empresas que esteve presente na Maison & Objet com o objectivo de alargar o seu horizonte. Esta empresa instalada numa casa privada, vende os seus produtos para cinco clientes de três países: Suiça, Itália e Estados Unidos. Os conjuntos de mesa, lenços, naperons, atoalhados, deram lugar aos jogos de cama completos, desde a fronha da almofada até à cobertura. Os desenhos de flores viçosas foram substituídos pelos motivos geográficos contemporâneos em tons de branco e cinza. O desafio da modernidade é compreendido pelos mais jovens que querem reacender a chama de uma tradição. A Dart foi criada, em 2004, pela jovem licenciada em Marketing Nélia Alves. Com 29 anos, esta nova empresária fez renascer o bordado da Madeira graças ao design. Implantada numa zona franca, esta empresa direccionada para o mercado estrangeiro é uma das poucas que possui um site na Internet. As onze empregadas ornam sobretudo a roupa de casa e os objectos de moda e acessórios, que representam já 15% do seu volume de negócios. Em dois anos, Nélia Alves seduziu cerca de trinta clientes, sendo que 80% são retalhistas e 20% grossistas, implantados nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha. «Utilizamos desenhos geométricos, pontos abertos, aplicações e jogos do positivo e negativo» sublinha Nélia Alves que possui acessórios como bijutaria, carapuços em couro bordados, sacos, carteiras, entre outros. «A modernidade do design como diversificação é a tábua de salvação desta arte ancestral» conclui Nélia Alves, apaixonada pelo ofício típico da Madeira.










