O ano da Indonésia

As exportações de vestuário da Indonésia para os mercados dos Estados Unidos (EUA) e da União Europeia (UE) registaram uma evolução significativa no início de 2006. Esta evolução ocorre no momento em que nestes mercados as importações com origem na China foram restringidas em diversas categorias. No entanto, quando olhamos para além dos dados positivos, a indústria continua a ter alguns problemas para resolver, fundamentalmente relacionados com o contrabando e com os relacionamentos industriais. Sem estes problemas, a indústria poderia mesmo ter desenvolvido além do seu espantoso valor de 8,6 mil milhões de dólares de exportações registadas em 2005, um valor que ficou 7,5% acima do seu objectivo inicial. A Indonésia também registou um bom desempenho no início de 2006 nos mercados norte-americano e comunitário, estando agora em vias de alcançar o objectivo de 9 mil milhões de dólares estabelecido para o corrente ano. Bomdesempenho na Europa Apenas os dados relativos ao primeiro mês de 2006 estão actualmente disponíveis para a UE, mas já demonstram ser promissores para os exportadores indonésios que beneficiam das restrições aplicadas sobre a China em diversas categorias de produtos. A Indonésia conseguiu transformar a quebra registada em 2005 num aumento em Janeiro para diversas categorias de artigos. Entre estas categorias encontram-se a HS 6110 (que inclui os jérseis), que aumentou 73,2% em termos de valor relativamente a Janeiro de 2005. Foi também registado um significativo aumento de valor em 200% para a categoria HS 6105 (que inclui as camisas para homem) enquanto que as categorias de artigos de malha também registaram um desempenho positivo. A categoria HS 6204 (que inclui fatos para homem) e a 6212 (que inclui soutiens) registaram aumentos de valor na ordem dos 130,7% e 76,3%. O aumento significativo nas importações com origem na Indonésia foi fundamentalmente devido ao aumento nas encomendas italianas, cujo mercado transitou para os produtos com menor valor. Mas enquanto que a Itália foi o principal comprador em termos de volume durante o mês de Janeiro, foram a Alemanha e o Reino Unido os responsáveis pelo valor mais elevado das exportações indonésias. EUA importam mais vestuário de algodão No mercado norte-americano, os dados para Março (mais recentes) colocam a Indonésia na 5.ª posição geral entre os principais fornecedores, sendo o 3.º principal produtor asiático posicionado após a China e o Bangladesh, respectivamente. As importações para os EUA aumentaram 16,4% em termos de volume durante o primeiro trimestre do ano, relativamente a igual período de 2005, aumentando 23,2% em termos de valor durante o referido período. A Indonésia registou bons resultados nas categorias onde a China está restringida pelas quotas até final de 2008. Foram registados aumentos significativos durante o primeiro trimestre em termos de volume nas categorias Otexa 338 (camisolas de malha para homem em algodão), que aumentaram 209% e na categoria 339 (camisolas de malha em algodão para senhora) que registou um aumento de 150,5%. Este desenvolvimento foi também notório nas categorias 347 e 348 (calças para homem e senhora) com aumentos registados na ordem dos 60,3% e 49,2%. Foram também registados bons desenvolvimentos nas categorias das fibras não-naturais apesar de diminuírem em termos de volume nas categorias 647 e 648 (calças) com quebras de 10% e 17%, respectivamente. Em simultâneo, os valores unitários do vestuário importado pelos EUA com origem na Indonésia registaram quebras em diversas categorias, sendo mais barato do que o exportado pela China em alguns produtos importantes, como é o caso das categorias 338/339 e 347/348. Diversos problemas afectam a indústria No entanto, apesar da maior atractividade do seu vestuário para os compradores estrangeiros em termos de valor, a indústria ainda enfrenta diversos desafios que podem prejudicar o seu ímpeto competitivo. As relações industriais entre grupos sindicais e organizações patronais entraram recentemente em colapso originando violentos protestos por parte dos trabalhadores, resultado da intenção de modificar a legislação laboral do país. Apesar desta situação se encontrar aparentemente solucionada, responsáveis industriais registaram que diversos clientes europeus e norte-americanos retiraram encomendas importantes, preocupados com a situação de conflito registada. Existe também um problema significativo relacionado com o contrabando de vestuário em segunda mão, o qual está lentamente a deteriorar o mercado interno. Este problema não é recente, mas de acordo com a associação têxtil da Indonésia, tem resultado no encerramento de unidades de produção e no aumento dos despedimentos. De acordo com a associação, esta é parte da razão pela qual o sector cresceu apenas 1,5% em 2005, relativamente ao crescimento de 4,3% registado em 2004. Mas, com os preços do vestuário difíceis de alcançar para muitos dos 245,45 milhões de indonésios, o apelo do vestuário barato em segunda mão é difícil de resistir. A associação têxtil indonésia tem apelado ao governo do país para limitar o fluxo de importações através do aumento das taxas alfandegárias, mas até ao momento não foi possível chegar a um acordo sobre esta possibilidade. A indústria da Indonésia foi recentemente aconselhada a diversificar a sua actividade. Com as restrições sobre a China a serem eliminadas em 2008 no mercado europeu e em 2009 no mercado norte-americano, a Indonésia deve estar preparada para a concorrência acrescida. Para além desta questão, prevê-se que a entrada do Vietname na Organização Mundial de Comércio (OMC) venha influenciar significativamente as opções de compra norte-americanas.