O animal da moda

Não foi casual o facto da cantora colombiana Shakira ter escolhido os designs de Roberto Cavalli durante a actuação de “Waka Waka” nas cerimónias de abertura e encerramento do Campeonato do Mundo de Futebol. Isto porque o designer italiano é um aventureiro da moda que aprecia trabalhar com estampados a relembrar os safaris realizados na África do Sul. No entanto, o excesso nunca esteve tão próximo do bom gosto como no seu universo criativo, que apresenta uma sinergia muito fluida que até parece simples de alcançar com toda a sua abundância. Para além disso, a roupa de Roberto Cavalli não é apenas ultra-sensual, é inclusivamente erótica, mas ao mesmo tempo extremamente elegante, sendo o preferido de celebridades como Catherine Zeta-Jones, Jennifer López, Sharon Stone e Victoria Beckham. «Estou constantemente preocupado em criar peças diferentes e em inovar», afirmou o designer de moda, que é conhecido por ser um grande anfitrião de festas, semelhantes às realizadas no Club Cavalli – um verdadeiro tributo à vida nocturna –, com sedes em Florença, Milão e Dubai. O caminho de Cavalli, até alcançar a fama, começou nos anos 60, com uma licenciatura em Belas Artes e com a vontade de juntar os mundos criativos que tinha presenciado junto da sua família – a modelagem de vestuário à qual se dedicava a sua mãe e a arte, que foi aprendendo do seu avó, que era um pintor impressionista, com obras expostas na centenária Galeria dos Uffizi. A sua investigação derivou num novo tipo de estampado, conhecido como Stampa Cavalli, que imprime um design em algumas partes da tela, mas deixa outras livres, respeitando o material original. O resultado é um design algo desmembrado, mas muito sedutor, que imita a natureza. Cavalli patenteou a sua invenção e, no início da sua carreira, começou por trabalhar sobre seda. No entanto, rapidamente verificou que a sua criatividade poderia ser mais evidenciada se trabalhasse com o couro. O êxito foi instantâneo e rapidamente estava a desfilar na passerelle de Paris, onde em 1970 apresentou a sua primeira colecção de pronto-a-vestir, repleta de vestidos de couro, fatos de banho e jeans justos ao corpo. Este desfile foi o primeiro passo para o sucesso internacional e, por esse motivo, o criador italiano decidiu que esse seria o começo da sua carreira. Quarenta anos depois, Roberto Cavalli celebra a sua marca com um novo logótipo, com um atractivo museu virtual instalado na página web oficial e uma série de entrevistas/homenagens nas revistas de moda mais importantes do mundo. «Fico contente por ter começado nos anos 70», confessa com alguma nostalgia à Harper’s Bazar, acrescentando ainda que «foram anos estupendos. Naquela altura, a moda era arte e as mulheres compravam vestido porque eram peças bonitas e porque essas peças as tornavam ainda mais bonitas. Actualmente, as pessoas compram roupa apenas pela marca que ela tem. De igual forma, é decepcionante que me copiem. Entendo que o façam com marcas como a Zara ou a H&M, mas não compreendo porque o fazem com grandes designers de moda», explicou Cavalli que confiou também que «se amanhã fosse atropelado por um carro, não queria ser substituído por ninguém na casa de moda Cavalli. Isto porque a minha marca e o meu nome morrerão comigo».