Novos valores para a ITV

Para fazer face à globalização e à maior concorrência, as empresas têxteis e de vestuário têm vindo a apostar nos produtos de gama alta, na criatividade, beneficiando também da chegada das novas tecnologias e dos esforços crescentes para desenvolver as suas exportações. Agora falta encontrar competências para liderar esta evolução. Para debater esta questão, um factor-chave do desenvolvimento, a Ufih (União Francesa das Indústrias de Vestuário), juntamente com a associação profissional da moda e vestuário da região de Rhône-Alpes, a Uit (União dos Industriais Têxteis) e a Unitex (União Inter-Empresas Têxteis de Lyon) organizaram, no passado mês de Novembro, o «Fórum nacional da moda, vestuário e têxtil para a competência, educação, formação e pesquisa». Neste debate, onde estiveram presentes mais de 500 pessoas, foram discutidos quatro vectores considerados essenciais ao desenvolvimento da fileira: tecnologia, marketing, internacionalização e criação. Como sublinhou Jean-Claude Rabier, vice-presidente da Universidade de Lyon II, na abertura do Fórum, «é preciso dispor de conhecimentos abstractos sem perder o sentido do tacto, compreender o que é um material, senti-lo para melhor o apreender». Aposta na tecnologia A tecnologia dá uma ajuda. O campo tecnológico está em estreita relação com as grandes mutações vividas pela fileira. Mutações que é preciso acompanhar com formação adaptada, como relembrou Jean-Pierre Mocho, co-presidente da Ufih, sobretudo quando é necessário fazer face «a uma verdadeira crise de vocações». Jean-Paul Ducol, fundador da sociedade Textinov, está no centro destas evoluções tecnológicas. Após mais de 20 anos passados a trabalhar em subcontratação no sector de vestuário e do mobiliário, a empresa voltou-se para os têxteis funcionais, que representam hoje 95% do seu volume de negócios. Engenharia civil, agricultura, horticultura, aeronáutica e medicina são campos já familiares para Ducol. Para conseguir esta viragem na empresa teve de recorrer a novas competências. «Recrutei engenheiros vindos de diversos horizontes, porque é indispensável compreender a linguagem dos nossos clientes e dos nossos fornecedores, quando falamos de engenharia civil, por exemplo», explicou. Esta noção de multidisciplinaridade está agora integrada pelos organismos de formação como o Itech (Instituto Têxtil e Químico de Lyon), que lançou um mestrado em Inovação Têxtil para jovens que não têm formação na área têxtil, e que adquirem, assim, competências em investigação e desenvolvimento para a indústria têxtil e de vestuário. Mas também o marketing tem uma função essencial até porque, como explicou Jean-Bernard Devernois, dirigente da Devernois, «a têxtil está longe de estar morta, conheceu um crescimento significativo a nível mundial e, no entanto, tem uma má imagem junto dos jovens». Além disso, «tanto as mulheres como os homens devem ser seduzidos. Temos, sem dúvida, necessidade de técnicas de marketing para vender os nossos produtos, mas devemos sobretudo estar certos dos nossos produtos, do nosso talento, da nossa criatividade, dos nossos circuitos de distribuição e dos nossos serviços», foi mais longe Benoît de Valicourt, director de comunicação e de marketing da Zilli Fomentar a internacionalização A tecnologia e o marketing são indispensáveis à vida da empresa. Mas, num mundo globalizado, há uma dimensão a não esquecer, a internacionalização, o terceiro ponto sublinhado pelo sector. Para além do conhecimento de línguas, nomeadamente o inglês, há também a adaptação das colecções, a compreensão das outras culturas. «É preciso adaptar ao país, aos seus hábitos de consumo, às formas de distribuição, criar talvez colecções duplas correspondentes às morfologias das pessoas. Desenvolver a vertente internacional é importante, mas só é possível com uma equipa sólida», sustentou Sylvie Roll, directora-adjunta da Lafuma. Também os organismos de formação começam a reagir, sob o impulso do Institut Français de la Mode (Ifm), que propõe aos profissionais em actividade “executive masters”, permitindo que se formem nos mercados de moda no estrangeiro, com seminários nos EUA, Ásia e França. Tecnologia, marketing, desenvolvimento da internacionalização, todos trunfos maiores se houver igualmente na empresa, um verdadeiro trabalho de criação. Em jeito de conclusão, Lucien Deveaux, presidente da Uit e do grupo Deveaux, reafirmou a sua fé no futuro. «O ambiente mundial difícil, complexo, implacável mesmo, no qual as empresas têm de evoluir é também um conjunto de oportunidades fantástico, num comércio mundial que representa mais de 500 mil milhões de dólares e progrediu 50% em 10 anos». É indispensável responder à lógica do cliente, inovar, criar, controlar os fluxos, exportar, desenvolver o marketing… «Para tudo isto é necessário investir na “matéria-cinzenta” – porque o capital humano é um dos factores essenciais da competitividade – mas também de trabalhar em conjunto, em rede, em parceria», concluiu Deveaux.