Novo impulso na ITV sul-africana

é do conhecimento geral que a indústria têxtil sul-africana tem enfrentado inúmeros problemas, por um lado, devido à sua ineficiência e, por outro, devido à concorrência asiÁtica. Contudo, consultores envolvidos em dois dos principais programas de produtividade da indústria dizem que hÁ uma luz ao fundo do túnel. Justin Barnes, director do Programa Cluster de apoio à indústria afirma que enquanto os dados gerais ainda indicam um declínio, hÁ um conjunto de empresas, que empregam entre 40.000 a 50.000 trabalhadores, que não estão em perigo. Pelo contrÁrio, estão em forte crescimento». Argumenta ainda que a indústria têxtil e de vestuÁrio da África do Sul estÁ provavelmente» num período de estabilidade. As empresas que sobreviveram tendem a estar no topo da eficiência da indústria. Estes processos são cíclicos. As empresas que conseguem sair do ciclo descendente têm as sementes para o próximo ciclo de crescimento», afirma Barnes. No entanto, a existência de dois programas diferentes é um indicador problemÁtico de que a indústria pode não ter ultrapassado a sua tradição de antagonismo entre trabalhadores e gestão. O problema pode ser particularmente agudo porque as soluções de produtividade apoiam-se sobretudo em novas e melhores tecnologias para aquisição de novas capacidades por parte dos trabalhadores, um processo que pode ser gravemente afectado pelas relações industriais. Os dois programas de apoio à indústria são o Programa Fast-Track, apoiado nos sindicatos e patrocinado, entre outros, pela Organização Mundial de Trabalho, e o Programa Cluster, suportado pela indústria local. Ambos os programas jÁ deram resultados. Numa cerimónia de entrega de prémios no ano passado para celebrar a conclusão do primeiro ano do projecto KwaZulu Natal Fast-Track Performance, a indústria foi informada de que o projecto de 1,7 milhões de rands trouxe resultados no valor superior a 2 milhões de rands entre as seis empresas têxteis e de vestuÁrio participantes. O projecto-piloto, apoiado pelo Sindicato dos Trabalhadores Têxteis e de VestuÁrio da África do Sul, consiste numa intervenção ao nível das empresas focada na integração de consultores para aumentar as capacidades dos trabalhadores. Dave Bowen, presidente do comité e director de formação da Frame Textiles, argumenta que o principal benefício do projecto foi provar que os gestores e trabalhadores podem cooperar e assim melhorar a eficiência na indústria. Mudar as mentalidades é como tentar transformar o Queen Mary numa peça de 10 cêntimos. No entanto, em apenas nove meses, as coisas mudaram completamente», argumenta. Contudo, dada a natureza crítica das relações industriais, verifica-se que o Programa Fast-Track é a resposta das uniões sindicais ao Programa Cluster, um programa maior, apoiado pelas grandes empresas têxteis e de vestuÁrio desde 2005. O principal objectivo do Programa Cluster é reunir os métodos mais eficientes e tentar disseminÁ-los na indústria. Tem o apoio e a participação de 75 das mais sérias» empresas do sector, como refere Barnes, que representam cerca de um terço dos trabalhadores da ITV. Destaca-se, contudo, uma grande diferença entre os dois programas. O Programa Cluster é financiado em 50% pelas empresas participantes, que esperam, obviamente, um retorno financeiro pela sua participação. O governo financia os restantes 50%. Estas empresas não continuariam a apoiar o programa se este não produzisse resultados», revelou Barnes. Barnes e o consultor Geoff Schreiner têm uma visão semelhante do futuro. A flexibilidade das empresas é crítica», afirma Schreiner. O objectivo é entrar em nichos de mercado locais, onde as empresas estrangeiras não podem competir devido a limitações logísticas». Barnes explica que um pesadelo para o retalhista é que jÁ estarão 10.000 unidades a caminho quando percebe que aquela linha não estÁ a vender. Mas se se abastecesse localmente, podia ter encomendado 500 unidades, testado o ambiente e depois encomendar outra série». Com efeito, hÁ custos associados ao aprovisionamento no Extremo Oriente. O custo com o envio de artigos importados pode chegar a 30% do custo do produto. Além disso, transportar produtos de um lado para o outro é crítico porque os custos com os inventÁrios no sector do retalho são iguais a 0,25% do custo do vestuÁrio para cada dia que é movimentado. Schreiner e Barnes concordam que a produção flexível e as pequenas séries, combinadas para algo semelhante à produção just-in-time, são fundamentais para a sobrevivência e o potencial sucesso no futuro da indústria sul-africana.