Novas estratégias no retalho

Os principais fornecedores viram as vendas e os lucros caírem na sequência da fusão de vários department stores americanos, eliminando assim milhões de metros quadrados de espaço destinado ao retalho. O exemplo mais flagrante desta estratégia de consolidação do retalho sucedeu em 2005, com a fusão da Federated Department Store e da May Department Store. Como consequência, a Federated, que detém a Macy e a Bloomingdales, anunciou o encerramento de 75 lojas. Uma pesquisa feita por analistas de retalho mostra que o número de department stores nos EUA, desde que os centros comerciais se implementaram de pedra e cal, tem vindo a diminuir, passando de 50 em 1989 para os actuais 17. Os retalhistas que permanecem estão agora mais fortes do que nunca e pressionam os fornecedores para maiores descontos, agoniando as empresas. Nos últimos anos, o alerta está cada vez mais vermelho. O grupo Jones Apparel, que inclui as marcas Anne Klein e Nine West, anunciou que as vendas do primeiro semestre de 2006 baixaram de 9,3%, para 2,2 mil milhões de dólares. Os lucros antes impostos desceram de 8,3%, para 855 milhões de dólares, em comparação com o mesmo período do ano anterior. A Liz Claiborne, outro nome de relevo da indústria do vestuário, afirmou que as suas vendas ascenderam a 2,2 mil milhões de dólares mas os ganhos por acção caíram 7,7%. Apesar disto, os negociantes estão a desenvolver estratégias para lidar com o novo ambiente de retalho e muitos estão confiantes num futuro brilhante.Roupa de marca Uma das tendências mais notáveis é a concentração dos fabricantes nas roupas de marca. As marcas trazem subjacente a si uma maior lealdade por parte do consumidor, o que significa que podem aplicar preços superiores. O director executivo da Liz Claiborne, Paul Charron, afirmou «temos uma colecção de marcas de lifestyle que apenas operam no segmento mais elevado». As empresas que já possuem marcas bem posicionadas encontraram uma outra maneira de lidar com a consolidação do retalho: marcando presença própria nos centros comerciais. A VF Corporation, que detém os jeans Lee e Wrangler, tinha 525 lojas no início de 2005, mas os seus planos prevêem mais 400 aberturas até 2009. A contribuição das department stores nas vendas vai subir de 13% para aproximadamente 18%, e as lojas da Lee/Wrangler serão igualmente usadas para promover outras marcas da empresa como a North Face e a Vans.Paul Mason, porta-voz da VF, afirmou que «é um facto que a consolidação do retalho empatou o nosso negócio, mas procuramos focalizar-nos nos nossos clientes e parceiros de retalho para reduzir o efeito no nosso volume de negócios e lucros. Não estamos a criar retalho por causa do retalho. Trata-se antes de saber construir e implementar as nossas marcas nos consumidores, e tal torna-se mais fácil com lojas próprias». A Jones Apparel foi ainda mais longe e comprou a Barneys de Nova Iorque – uma department store do segmento de mercado alto – para assegurar o seu lugar no sector de retalho.Mantendo a presença Maggie Gilliam, um analista de retalho de Nova Iorque, explica que «os negociantes estão a ter que ir na vertical – introduzindo-se no mercado de retalho». Gilliam revela também que uma outra táctica que está a ser adoptada pelas empresas é espalhar a sua marca noutros segmentos de mercado. Isto é particularmente a verdade nas marcas que tem como clientes-alvo os adolescentes, tais como a Abercrombie & Fitch e a American Eagle, que estão a desenvolver novos designs e lojas tendo em vista atingir agora consumidores mais velhos. A Ralph Lauren, todavia, está a caminhar no sentido oposto, procurando seduzir os consumidores mais jovens. Apesar das variadas estratégias empregues para fazer face à consolidação do retalho, Gilliam explica que «apenas porque alguém é bem sucedido com um conceito não significa necessariamente que será bem sucedido duas vezes. O objectivo mais comum é tentar expandir a sua base de clientes fora das lojas do núcleo, pressupondo que as pessoas com mais alguma idade vão querer as mesmas coisas. Mas o mercado inteiro está fragmentado e as pessoas querem coisas diferentes quando crescem».Com os olhos postos na Europa?Tendo em conta a redução de oportunidades no retalho americano, é talvez surpreendente que mais empresas de vestuário não tenham em vista expandir-se pela Europa, onde a consolidação é ainda relativamente um fenómeno desconhecido. A Liz Claiborne é uma das poucas empresas que tenta agressivamente construir o seu portefólio europeu. A maioria das empresas de vestuário parece ter decidido focalizar-se apenas nos Estados Unidos e não quer arriscar perder dinheiro ao tentar alcançar sucesso num mercado que não domina. Mas o que se tornou claro é que a relação tradicional entre fornecedor e retalhista desintegrou-se nos EUA. Os retalhistas americanos procuram, cada vez mais, um sourcing directo das fábricas asiáticas enquanto que os fornecedores do país procuram desenvolver marcas e abrir lojas. No mercado americano, pelo menos, este híbrido parece ser o futuro.