Nova rota do sourcing

A Síria, o Uzbequistão e o Tajiquistão podem tornar-se países de aprovisionamento de vestuário mais importantes nos próximos anos, quando as atuais questões políticas e de direitos humanos forem resolvidas. Numa intervenção no lançamento do “Estudo de Sourcing em Todo o Mundo” para a indústria da moda, Anne-Laure Linget, diretora de desenvolvimento internacional na Federação Francesa de Malha e Lingerie, afirmou que estes países têm o potencial de se tornarem localizações de sourcing de proximidade mais fortes para retalhistas e marcas. Apesar da sua instabilidade política, a Síria ainda exporta vestuário. Entre janeiro e setembro de 2011, o país registou um aumento de 61% nas exportações para os EUA em comparação com o mesmo período do ano passado, embora de uma base pequena. Segundo o estudo, a Síria foi o 16.º maior exportador de vestuário para os EUA de janeiro a setembro de 2011, com exportações no valor de 6,7 milhões de euros. «Os países árabes serão bons daqui a dois ou três anos, quando se tornarem estáveis», afirmou Linget. Países produtores de algodão, como o Tajiquistão e o Uzbequistão, apesar de questões relacionadas com o trabalho infantil e forçado, podem também tornar-se cada vez mais importantes para retalhistas, marcas e importadores que procuram preços estáveis e disponibilidade. «As empresas russas já estão a olhar para o Uzbequistão», exemplificou. Sublinhando as questões enfrentadas pelos produtores quando a Índia introduziu mais uma proibição nas exportações de algodão no início do ano, Linget destacou que «todas as bases de produção de algodão irão tornar-se fortes países de sourcing. Serão capazes de continuar a entregar produtos em períodos de inundações ou secas». Já países como o Bangladesh e o Vietname, que não produzem o seu próprio algodão, não serão «capazes de entregar a tempo e com preço», concluiu.