Nova realidade de retalho

O comércio vai provavelmente tornar-se mais difícil no Reino Unido nos próximos meses, pois a desvalorização da libra esterlina e os crescentes custos de importação vão implicar o aumento dos preços médios nas lojas, num momento em que a procura está em quebra, conforme foi referido na conferência do Retail Week que acaba de terminar em Londres. No entanto, o aumento das falências comerciais vai facilitar a concorrência para os sobreviventes e a diminuição nos preços imobiliários irá criar oportunidades para alguns, principalmente: lojas de desconto, supermercados e os principais players internacionais. A maioria dos retalhistas está a debater-se com dificuldades, à medida que os compradores refreiam os gastos face às crescentes preocupações com os seus empregos, mesmo quando os rendimentos são impulsionados pelas taxas de juro baixas e a queda nos custos de combustíveis. Alguns, incluindo cadeias generalistas como Woolworths e de mobiliário como MFI, já desmoronaram e mais poderão ter problemas, após o pagamento das rendas trimestrais. Acho que ainda temos mais sofrimento antes de podermos falar em recuperação», afirmou Alan White, director-executivo do N. Brown, retalhista especializado em vestuário de tamanhos grandes e médios para senhoras de idade avançada. O presidente-executivo da cadeia de moda feminina New Look, Phil Wrigley, advertiu que os retalhistas enfrentam um salto quântico» para gerir os crescentes custos de importação decorrentes da desvalorização da libra esterlina. é necessário conquistar quota de mercado para sobreviver», acrescentou Wrigley. Os preços baixos são a chave para atrair compradores», revelou Hussein Lalani, director comercial das lojas de desconto 99p Stores. Cada centavo conta», sublinhou o responsável, acrescentando que numa cidade, uma loja que vendia produtos a 1 libra encerrou, quando uma das suas lojas, que vende produtos um penny mais baratos, abriu nas proximidades. No entanto, outros referem que o valor pelo dinheiro era mais importante. Os consumidores querem produtos especiais a preços especiais, não necessariamente aos preços mais baixos», explicou John Lovering, presidente do grupo Debenhams, que registou fortes vendas na sua linha de produtos “Designers at Debenhams”. O director-executivo do retalhista J Sainsbury, Justin King, sustentou que é também importante captar o espírito da época, explicando que as campanhas como “cook and save” e “love your leftovers” ajudaram o seu grupo a prosperar, apesar das previsões de que sofreria com a sua posição intermédia no mercado. Angela Spindler, directora-executiva da The Original Factory Shop, cadeia de lojas de desconto, disse que os retalhistas precisam de aprender as lições do colapso da Woolworths, que não conseguiu diferenciar-se no meio da crescente concorrência dos supermercados e da Internet. As dificuldades de alguns estão a criar oportunidades para outros. Bob Willett, director-executivo do negócio internacional da empresa Best Buy, sedeada nos EUA, revelou que o retalhista tinha atrasado para a próxima Primavera o seu lançamento no mercado britânico, em parte para beneficiar das enormes reduções» nos preços imobiliários. Lalani, da 99p Stores, afirmou que também estava a procurar beneficiar com a actual quebra, encarando a possibilidade de uma cadeia com cerca de 500 lojas, em comparação com 75 lojas actualmente.