Nova Keit em 2006

A Sàcole está a preparar uma renovação de imagem da sua marca de meias Keit – incluindo um novo logótipo -, vai lançar no final do ano uma nova gama de linhas que envolvem novas fibras, novos acabamentos e novo design, e continua a ter como prioridade de agenda a internacionalização, investindo sobretudo em Espanha, sem deixar de piscar o olho ao norte da Europa. De acordo com o plano que concebera em finais de 2004, o mercado espanhol é o mais privilegiado, com a Sàcole España inicialmente a superar as expectativas. «A marca Keit continua a crescer, e a tendência é crescer ainda mais em Espanha. Penso que em Portugal teremos atingido a maturidade no ciclo de crescimento da marca, pelo que se justifica uma maior aposta agora no país vizinho», refere André Sá, administrador da Sàcole, ao Portugal Têxtil (PT). Com uma carteira de clientes de Barcelona, Valência e Madrid, o administrador refere que ainda há muito mercado a explorar, e que para Madrid se exige uma dimensão mínima para que a presença seja notada e para que dê os seus frutos. Mas também aqui o potencial de crescimento da principal feira de vestuário infantil – a FIMI, em Valência –, já estabilizou, pelo que, cumprida a missão de difundir a marca e encontrar agentes «decidimos suspender a nossa presença na edição de Verão da FIMI e nesta edição», tendo-se dedicado neste ano a capitalizar os contactos que a feira lhe proporcionou. Mas não foi livre de contratempos, pois inicialmente errou algumas apostas no retalho, escolhendo redes de mercerias, (o equivalente a retrosarias no nosso país, mas com uma gama de produtos mais alargada), que se revelou não ser a mais indicada para a sua marca, o que obrigou a algumas correcções de estratégia em 2005: «agora as colecções estão apenas nas cadeias especializadas». Mas «Espanha é um mercado com muito potencial para nós, e onde queremos crescer 25% ao ano nos próximos anos», salienta André Sá ao PT. Acabado de chegar de Copenhaga, da feira de vestuário CIFF, no segmento CIFF Kids – que pretende reunir na Dinamarca os potencias clientes de retalho profissionais de toda a Escandinávia-, o administrador da Sàcole elogia as recentes iniciativas da ANIVEC/APIV, e dá um conselho ao ICEP, porque «estamos todos de parabéns nas iniciativas de internacionalização recentes, mas temos ainda muito a aprender e a melhorar» refere, a propósito da indispensável lista de contactos de clientes e agentes que deve ser fornecida às empresas, mas que «vem muito despersonalizada». «Não se pretende que o ICEP faça o nosso trabalho de escolha, mas podia haver uma selecção dos contactos mais de acordo com o nosso perfil». «Não deixo de elogiar a importância destas iniciativas do ICEP e da ANIVEC/APIV, consciente de que os resultados desta feira não são imediatos, e que talvez não se atinjam já os objectivos pretendidos, mas os contactos efectuados podem vir a dar os seus frutos». O interesse pelo norte da Europa passa também pela Finlândia, onde a Keit já teve honras de presença à entrada dos armazéns mais conhecidos daquele país, no segmento médio alto onde a marca se pretende posicionar, mas teve um contratempo com o agente que obriga agora a empresa a partir praticamente do zero. Estas vicissitudes comerciais, que incluem um decréscimo de vendas na Irlanda, compensadas por um aumento na Bélgica e na Holanda, não terão sido alheias à redução em 2005 de 2% no volume de negócios de 2,5 milhões de euros, comparando com o ano anterior. A «falta de capacidade politica e diplomática da UE na negociação do Acordo com o China, em que o nosso segmento foi dos mais prejudicados», também não ajudou esta empresa de Vila Nova de Gaia, com 80 trabalhadores, que responde às contrariedades e consolidação de 2005 com uma renovação para 2006.