Com efeito, as duas maiores associações do sector têxtil e do vestuário colocaram, no passado dia 14 de Abril, a "primeira pedra" do novo centro que vai assegurar a continuidade de alguns serviços de grande utilidade e reconhecido interesse para a ITV nacional realizados pelo CENESTAP. «Com o desaparecimento do CENESTAP, a ITV correu o risco de perder também a sua voz, representada pelo Jornal Têxtil e pelo Portugal Têxtil», afirma Orlando Lopes da Cunha, presidente da ANIVEC. «Deste modo, a ATP e a ANIVEC procuraram, mais uma vez, unir esforços no sentido de assegurar a permanência dessa "voz" e de um maior desenvolvimento de uma unidade de "Inteligência Estratégica e de Inteligência de Mercado" capaz de servir o sector têxtil e de vestuário português». Por seu lado, o presidente da ATP, Paulo Nunes de Almeida, considera que «o "Jornal Têxtil" e o "Portugal Têxtil" eram – e são – veículos preciosos e insubstituíveis de informação sobre a actividade da nossa fileira têxtil e moda. Sublinhe-se que a informação e o conhecimento são hoje a matéria-prima mais importante das empresas, pois sem eles a tomada de decisão, seja estratégica, seja de gestão corrente nas organizações, é um acto de risco que pode ter efeitos profundamente negativos e irreversíveis. Isto ainda é mais enfatizado pelo facto de hoje vivermos num mundo totalmente aberto e concorrencial, onde só os mais bem preparados e informados podem vencer». Baptizado de "Centro de Inteligência Têxtil" (CENIT), o novo centro tem ainda outras ambições para lá de assegurar uma plataforma de qualidade na gestão e divulgação da informação do sector e para o sector, pois encerra em si outras competências que passam pela análise e estudo sectorial dos factos, estatísticas, fenómenos e mercados, que têm de ser suportados numa equipa técnica de grande valia, que garanta o indispensável rigor e qualidade nas análises, de forma a que os destinatários possam utilizar essa mais valia da melhor forma. «Esta dimensão de Observatório Sectorial e de Centro de Gestação de Inteligência Sectorial será o passo seguinte das atribuições do CENIT quando estiver estabilizada a sua vertente informativa, cuja necessidade da indústria impõe agora como prioridade», revela Paulo Nunes de Almeida.«O CENIT terá obviamente uma tarefa difícil, pois embora todos consideremos indispensável a informação sectorial, nem sempre existe uma cultura nas empresas e nos empresários que valorize esta realidade e a torne um bem que se compra e vende tal como uma matéria-prima para que uma indústria possa funcionar. O grande desafio será, pois, tornar o CENIT um centro de competências do Sector, que se imponha pela qualidade dos seus serviços, mas que, ao mesmo tempo, possa ser economicamente sustentável». A inevitável globalização e a apressada liberalização de importações oriundas de países exóticos (que não era tão inevitável assim…) para o espaço europeu, veio submeter as indústrias transformadoras europeias, todas as que viram os seus produtos isentos de restrições fossem elas quais fossem, a uma pressão concorrencial injusta, pela disparidade das condições e pela quase ausência de reciprocidade nos "tais" países. Este movimento que abalou toda a Indústria transformadora foi confundido muitas vezes com a melopeia da "crise da Indústria Têxtil" – o que só se entende por a ITV ser, de facto, a maior indústria portuguesa. Já se notam sinais de recuperação embora débeis, mas o certo é que ao aumentar a sua exposição mercê de feiras Internacionais e outras actividades de marketing internacional, a ITV portuguesa está a resistir ao ataque das economias emergentes melhor do que, por exemplo, a electrónica. Terá de haver reestruturações, poderá ter de haver "deslocalizações", haverá que criar novas competências, inovar permanentemente e agilizar o lado comercial da nossa ITV quiçá o seu lado menos conhecido em face desta nova realidade. «Compete ao CENIT informar, dar a conhecer a alta qualidade da ITV nacional – pelos vistos, menos conhecida cá dentro do que lá fora -, fornecer "inteligência" atempada à nossa ITV para que esta tenha movimentos ágeis de adaptação. A inteligência, afinal, é "a capacidade de adaptação a novas circunstâncias"», conclui o presidente da ANIVEC.










