Norte da Europa é o novo desafio da Trimalhas

Numa tentativa de fugir à instabilidade política e económica que tem vindo a retrair as expectativas de crescimento, a produtora de malhas procura agora entrar no mercado escandinavo. A chave para lá chegar são os produtos sustentáveis.

Antonino Pinto

A coleção de outono-inverno 2020/2021 da Trimalhas reforça a aposta da empresa na sustentabilidade. «Os reciclados e os orgânicos são produtos que têm de estar sempre presentes em qualquer coleção», já que vão ao encontro das preocupações e necessidades atuais dos consumidores, defende o administrador Antonino Pinto. Deste modo, acredita que «as pessoas estão a ter uma boa receção à nova coleção», cujos resultados espera que se verifiquem no longo prazo: «os reflexos de uma coleção não podem ser medidos num espaço [de tempo] muito curto», assegura.

Para além dos benefícios que advêm da venda de um produto que satisfaça a procura dos clientes, Antonino Pinto revela que a aposta na sustentabilidade constitui também a chave para conquistar os nórdicos – «gostaria muito e estamos a tentar entrar no mercado escandinavo: Suécia, Dinamarca e Noruega», confessa – são «interessantíssimos» e a «forma de tentarmos lá entrar é através dos produtos sustentáveis», sublinha.

Assim, a Trimalhas procura estabelecer um contacto mais próximo com os seus maiores clientes, através dos meios digitais, sejam eles a plataforma online ou as redes sociais, para lhes dar informação sobre «tudo aquilo que fazemos», nomeadamente, comunicar o investimento na sustentabilidade, explica Antonino.

Crescimento aquém das expectativas

Contudo, o administrador mostra-se prudente relativamente ao corrente ano. «Os mercados neste momento estão muito voláteis», afirma, enumerando os desafios representados por «um Brexit que não sabemos o que vai fazer, [mas] vai prejudicar claramente as empresas portuguesas», uma «crise em Espanha, outra em Itália», a «Alemanha em recessão» e «uma guerra comercial entre os EUA e a China». A Europa é um mercado aberto, aponta, logo «estamos sujeitos» ao impacto resultante das decisões políticas e comerciais de cada país.

No início de 2018, a Trimalhas havia definido o objetivo de faturação anual de 15 milhões de euros – chegou aos 16,5 milhões de euros, com um crescimento de 15% relativamente ao exercício anterior, revela Antonino, o que justifica a sua caracterização como «um dos melhores anos que a empresa teve». No contexto económico internacional, «2019 perspetiva-se pior do que 2018, mas melhor que 2017», adianta o administrador, prevendo que «uma Europa um pouco em crise» não lhe permita beneficiar dos meses que ainda restam até ao final do ano, para recuperar o crescimento.

Atualmente, a empresa escoa 45% da sua produção para o mercado externo, onde aquele que assume maior representatividade é o espanhol (30%). Além deste, também se incluem a Alemanha, Itália, França e Holanda.

Esta atividade é sustentada por uma capacidade de produção de 25 toneladas diárias, apesar de apresentar uma média corrente de 17 a 18 toneladas por dia, exclusivamente dedicadas ao processo de tricotagem e distribuídas por uma mão-de-obra de 85 trabalhadores.

Para o futuro, a Trimalhas procura cumprir as diretrizes estipuladas pelo Portugal 2020, no sentido de tornar a empresa «autossuficiente sem precisar de grandes investimentos», para minimizar a redução do lucro pelas depreciações, garante o administrador.