Noite dos Óscares, glamour, alta-costura e negócio

Talvez no início, os Óscares fossem sinónimo exclusivo de cinema. Hoje, quando actores e principalmente actrizes desfilam no tapete vermelho que cobre a entrada do Kodak Center, esta transforma-se na maior e mais mediática passarela do mundo, a grande montra para as grandes marcas. Armani, Chanel, Dior, Givenchy, Prada,Valentino,… não há marca que não queira vestir os nomeados, de preferência aqueles com mais hipóteses de vencer. O desfile pode ser de vaidades, mas o que está verdadeiramente em causa, naquele momento, é sobretudo negócio, ou seja “Business as usual” Em teoria, os actores e actrizes vestem aquilo de que gostam. Mas só em teoria. O gosto pessoal tem pouco a ver com esta questão. Pelo menos, desde meados da década de 90, quando Michael Bloch começou a ser o consultor de moda de nomes como Faye Dunaway e Jacqueline Bisset, escolhendo a roupa que melhor enaltecia os seus corpos e as suas personalidades públicas. E a 78ª entrega dos Óscares não foi excepção. A indústria da moda percebeu o quanto tinha a ganhar se os seus protagonistas assinassem a roupa da pessoa certa na noite em que milhões de pessoas estão “agarradas” à televisão. A indústria do cinema percebeuque as suas estrelas forem consideradas exemplos a seguir vendem mais filmes, revistas, merchandising. Segundo os especialistas, a noite dos Óscares vestiu cauda, porque um grande número de actrizes optou por ela. Desde Nicole Kidman, com um vestido branco de Nicolas Ghesquiere para Balenciaga, até Diana Krueger, num romântico Ellie Saab, também em branco. Optando pelo rosa muito claro estiveram Naomi Watts, em Givenchy, e Uma Thurman, num espectacular Versace de alta-costura. Pela cor champanhe optaram Jessica Alba, com um Versace dourado, e Jennifer Garner, num Michael Kors de corte império. Com tons mais escuros estiveram Rachel Weisz, grávida e acompanhada pelo designer Narciso Rodriguez, criador do seu vestido, Keira Knightley, num esplêndido Vera Wang, Jennifer Aniston, num Rochas, Hilary Swank em Versace, e Felicity Huffman, vestida por Zac Posen, que pensou para ela um decote em V, de vertiginoso. O máximo da pontuação conseguiram, além de Uma Thurman, Charlize Theron, em alta-costura de Dior verde e com um grande laço no ombro, e Michelle Williams, com um Vera Wang amarelo abóbora. Uma menção especial vai para o bom gosto de Judi Dench, usando um muito adequado vestido bordado de Abu Sandeep. Agora os grandes erros da noite: Sandra Bullock, num vestido do designer latino Angel Sánchez, que insistia em não lhe caber no corpo, e o Armani de Ziyi Zhang, que evidenciava a sua falta de formas. Lembramos que na cerimónia de 2005, os destaques foram para Cate Blanchett, impecavelmente vestida num Valentino amarelo, Kate Winslet, num Badgley Mischka azul, e Renee Zellweger, deslumbrante num Carolina Herrera vermelho. Mas os vestidos coloridos pareciam pálidos perto dos brancos e dos pretos, como o Versace da cantora e actriz Beyoncé Knowles, ou do de renda chantilly preto Monique Lhillier usado por Scarlett Johansson. Segundo algumas opiniões, a mais bem vestida da festa, foi a actriz britânica Sophie Okonedo, que brilhou num Rochas claro. Mas um bom espectáculo não o é sem uma boa polémica. Tudo começou com o incidente do falso vintage Chanel (era um Chanel, mas não era vintage) que Reese Witherspoon levou à cerimónia dos Golden Globes. Assim, a actriz quis assegurar-se da qualidade vintage do vestido que levaria aos Óscares, e comprou um Christian Dior de 1955, numa loja parisiense especializada. Mas qual foi, então, o problema? É que a casa Dior havia-se comprometido vestir em exclusivo para a cerimónia uma das suas actrizes “fetiche”, Charlize Theron, e esta passagem de Witherspoon no tapete vermelho com um Dior “estragou” a estratégia da empresa. Mas, por outro lado, ganhou o Óscar para Melhor Actriz… No que respeita ao universo do marketing e da publicidade, a opinião dos especialistas é que na noite dos Óscares todos saem a ganhar. Nem tudo se resume a sair do Kodak Theatre com ou sem a estatueta. A verdade é que o prémio para os derrotados da noite, chamado “Pacote de Presentes”, é bastante consolador. De facto, a entrega dos Óscares é uma montra na qual todas as empresas têm interesse em participar, já que dificilmente se imagina melhor publicidade. O presente exclusivo da Esteé Lauder para os nomeados desta edição incluiu vários cremes, uma assinatura Kotur para uma edição limitada da marca e um saco vintage brocado. A este pacote soma-se um conjunto de copos em cristal preto, desenhados por Philippe Stark e um embrulho especial e personalizado com o PEBL, o novo telemóvel da Motorola. Além de tudo isto, a Havaianas ofereceu um par da sua edição especial “ Black Diamond ”, decoradas com auténticos diamantes negros, que iam embrulhadas numa caixa de veludo. Em anos anteriores, o “cabaz” não era menos tentador. Em 2004, por exemplo, a Victoria’s Secrets preparou uma bolsa avaliada em 12 mil dólares para as candidatas a melhor actriz, com peças sensuais, mas que teve uma versão especial para uma das nomeadas, Keisha Castle-Hughes, na altura com 13 anos, numa selecção mais infantil. Dois anos antes, as protagonistas da grande noite tinham sido presenteadas pela mesma marca de lingerie, com um soutien de tiras de fio de ouro e 22 diamantes de 14 quilates, no valor de 5 mil dólares, e a La Mer ofereceu pequenas porções do um creme “milagroso”, no valor de mil dólares. “Não há almoços grátis” e por isso a certeza é de que as marcas têm muito a ganhar com estas generosas ofertas.