Nike abandona Ásia

A Nike Inc. está a planear retirar a sua produção de três fábricas de calçado na China e uma no Vietname para tornar mais eficiente a sua cadeia de aprovisionamento, com a diminuição na procura a forçar uma diminuição da produção. A decisão surge numa altura em que os produtores, enfrentando um abrandamento mundial do consumo, planeiam fechar fábricas na ásia, despedir trabalhadores ou reduzir as encomendas, devastando uma região que há muito tem um papel importante como base de produção para os mercados ocidentais. As localizações das quatro fábricas que serão afastadas da produção pela Nike não foram reveladas. A Nike é o principal ou mesmo o único comprador em todas as quatro, e todas produzem calçado para a empresa de equipamento desportivo em regime de subcontratação, integrando uma rede de calçado de 72 fábricas. No entanto, como revela Erin Dobson, directora de responsabilidade corporativa e de comunicação da Nike, irá haver um período entre seis a 12 meses para a Nike retirar completamente as encomendas dessas empresas, com o objectivo de lhes dar a oportunidade para procurarem novos compradores». A intervenção da Nike na sua cadeia de aprovisionamento não fica por aqui: a empresa está também a ponderar retirar as encomendas de vestuário de outras fábricas onde se aprovisiona, de acordo com Erin Dobson. A Nike subcontrata 640 fábricas de vestuário, calçado e equipamento em todo o mundo, 180 das quais na China, que em 2008 empregavam 200 mil pessoas – muitas das quais trabalhadores migrantes empregados a salários baixos. Aliás, a empresa americana tem sido criticada em relação às condições de trabalho dos fornecedores que utiliza, embora Dobson garanta que não há qualquer indício de abusos laborais. A Nike está, assim, a tentar direccionar a sua produção para menos fábricas em vez de espalhar as encomendas por um elevado número de unidades, diminuindo, com isso, os custos relacionados com a cadeia de aprovisionamento. A empresa produz a maior parte do seu calçado na China, Vietname e Indonésia. A China irá manter-se como a principal produtora de calçado, equipamento e vestuário para a empresa, como refere Dobson, algo já expresso num comunicado da empresa, onde se assegurava que a China ainda é o principal país de aprovisionamento, com o Vietname, Indonésia, Tailândia e Coreia a manterem-se como parte integrante do sucesso e crescimento da Nike». Desde 2007 que a empresa tem vindo a empreender uma estratégia para melhorar e tornar mais sustentável a sua cadeia de aprovisionamento. Recentemente, o grupo sedeado no Oregon, EUA, revelou um novo plano de reorganização da marca em seis regiões, também para reduzir os custos e melhorar a eficiência das suas operações, com a divisão entre América do Norte, Europa Ocidental, Europa Central e de Leste, China, Japão e Mercados Emergentes. A criação desta nova zona para China é uma resposta ao crescimento fulgurante das vendas no país, que representa agora o seu segundo mercado mais importante. Os Jogos Olímpicos de Pequim contribuíram para os bons resultados da marca, com as vendas a aumentarem mais de 50% no terceiro trimestre do ano. Entre as diversas empresas que operam no sector, a Nike manteve-se relativamente resiliente face ao abrandamento global, tendo registado um volume de negócios no ano fiscal de 2008 de 16,6 mil milhões de dólares (cerca de 13,7 mil milhões de euros).