NGC prossegue com programa Make it Bio

O programa, que pretende reduzir o consumo de água, de energia, descarbonizar e integrar biomoléculas nos processos têxteis, foi desenvolvido com parceiros como a Devan e já foi aplicado por empresas como a Neiper.

Roberto Teixeira e Ricardo Costa

Chama-se Make it Bio e pretende ajudar as empresas da indústria têxtil a fazer a transição para a sustentabilidade. Desenvolvido pela Next Generation Chemistry (NGC), o programa, aponta Ricardo Costa, permite melhorias na pegada ambiental das empresas, graças a soluções que reduzem o consumo de água, de energia e de emissões de gases com efeito de estufa, ao mesmo tempo que integra biomoléculas no processo têxtil.

«Não é um programa formatado, está em constante transformação e melhoria, à medida que a tecnologia se vai desenvolvendo», afirma o CEO da NGC, que adianta que, de acordo com a avaliação do ciclo de vida realizada, «conseguimos uma redução na ordem dos 40% a 60% nos custos energéticos, 70% na descarbonização e já estamos em quase 50% de biomoléculas em vez de petroquímicos». Na preparação, por exemplo, está a ser usado um biocatalisador a baixa temperatura. Está igualmente a ser aplicada a tecnologia RFT, nos corantes, que não necessitam de ensaboar. «70% do consumo de água está nos ensaboamentos e já estamos a fazer a substituição de silicones por bioamaciadores», acrescenta.

Assente em cinco passos, o CEO da NGC refere ao Portugal Têxtil que o Make it Bio está já a ser implementado em cerca de 40 clientes portugueses, incluindo a Neiper, que apresentou na última Heimtextil uma toalha produzida com este programa. «Estamos a aplicar o programa há quase dois anos, com validação de resultados, que não mudam porque é um programa em constante desenvolvimento. Somos uma empresa fornecedora de produtos químicos e tecnologia que acompanha o cliente durante o ciclo de vida do produto, em toda a cadeia de valor, incluindo a comunicação ao mercado de todo o trabalho que está por trás de um artigo», indica. «Hoje entregamos um report ao cliente, portanto, já não é vender o produto químico com uma ficha técnica e uma amostra por preço, é acompanhar o cliente nas suas necessidades da transformação do seu processo», reforça.

Neiper – Heimtextil 2024

O programa, que já foi reconhecido nos Prémios Verdes Visão + Grupo Águas de Portugal na categoria tecnologia verde em 2022, foi desenvolvido com parceiros, entre os quais a Devan. «A Devan apresenta-se como a primeira empresa a converter todos os acabamentos funcionais em acabamentos de base biológica», destaca Ricardo Costa. «Temos de ter uma resposta transversal em termos de processos industriais, mas não podemos esquecer o valor acrescentado que damos ao artigo», acrescenta.

«É uma parceria estável, somos parceiros com uma visão comum, construtiva, com sustentabilidade», sublinha, por seu lado, Roberto Teixeira, CTO da Devan. A empresa de desenvolvimento de químicos, sediada na Bélgica e com instalações no Reino Unido, Portugal e EUA, lançou na última edição da Heimtextil um novo acabamento com cápsulas de base bio e biodegradáveis com compostos como o Regenight, que melhora a qualidade do sono e rejuvenesce a pele quando aplicado, por exemplo, em almofadas.

«Enquanto a Devan desenvolve a tecnologia, nós temos um papel crítico e fundamental de validação em termos do conceito industrial», explica Ricardo Costa, que realça que este tipo de acabamento funcional é «extremamente universal, em qualquer tipo de fibra, com processos de aplicação diferenciados».

A NGC, de resto, pretende afirmar-se como muito mais do que uma fornecedora das empresas têxteis. «Os clientes podem apoiar-se na NGC, não como uma empresa vendedora de tecnologia ou de produtos químicos, mas como uma empresa que vai apoiar a fazer esta transição para a sustentabilidade», conclui Ricardo Costa.