Nextil fecha ano com prejuízo

O grupo espanhol, com operações em Portugal, registou um prejuízo de nove milhões de euros, para o qual contribuiu uma queda de 21% das vendas. O foco para este ano será reduzir custos e vender ativos para reestruturar o negócio.

[©Nextil]

Apesar de ter registado um prejuízo de 9 milhões de euros em 2023, o número representa uma melhoria de 36,4% face ao ano anterior, quando a empresa teve um prejuízo de 14,17 milhões de euros. De acordo com o relatório financeiro submetido pela empresa à Comissão Nacional do Mercado de Valores Mobiliários (CNMV em Espanha) e citado pela Modaes, a empresa registou vendas de 38,9 milhões de euros no ano passado, menos 21% do que em 2022.

Do total de vendas, as provenientes do negócio português contribuíram com 25,6 milhões de euros, em comparação com 30,1 milhões de euros no ano anterior. O negócio de tecidos, desenvolvido na subsidiária nos EUA, a Elastic Fabrics of America, contribuiu com um valor de vendas de 13,6 milhões de euros em 2023, um aumento face aos 20,1 milhões de euros em 2022.

O prejuízo operacional (Ebit) no final de 2023 fixou-se em 6,9 milhões de euros. «O grupo tem visto o seu resultado operacional penalizado por um custo de estrutura elevado, superior a três milhões de euros, que não foi absorvido pelas unidades de negócio, razão pela qual se iniciou um processo de redução dos mesmos no final de 2023, cuja poupança de mais de dois milhões de euros se refletirá nos resultados de 2024», aponta a empresa.

Nos últimos anos, a Nextil sofreu prejuízos significativos que levaram a uma «relevante reestruturação na organização e gestão do grupo» no último trimestre de 2023, de forma a descontinuar, vender ou liquidar as atividades que não sejam estratégicas e gerem perdas nos resultados operacionais e concentrar os esforços económicos, comerciais e operacionais nas atividades que geram valor».

Desde o último trimestre de 2023, refere, a empresa tem estado focada, entre outras coisas, no desinvestimento de instalações não estratégicas e «ativos não produtivos» para reduzir dívidas e perdas, na angariação dos recursos económicos para concluir a unidade de produção da Guatemala e a assegurar o esforço de investimento no desenvolvimento da atividade comercial de vestuário em Portugal.

Está ainda a selecionar uma nova equipa de gestão, com a incorporação de um novo CEO num futuro «próximo».

Em dezembro passado, a Elastic Fabrics of America vendeu as instalações de produção localizadas nos EUA para concentrar toda a atividade de produção de tecidos nas novas instalações na Guatemala. O valor desta operação, cifrada nos 5,25 milhões de dólares, permitiu à Nextil reduzir a dívida financeira em 4,5 milhões de euros.

Da mesma forma, em dezembro de 2023, a Nextil alienou «unidades produtivas de negócios tradicionais que estavam a gerar prejuízos no final de 2023 e nos últimos anos». Em particular, as empresas NPG (Nextil Premium Garment) e NEFE (Nextil Elastic Fabrics Europe) foram vendidas por um euro cada, «pelo que saíram do âmbito de consolidação no ano fiscal de 2023, deixando assim de consumir recursos que pesavam dramaticamente na rentabilidade do grupo e colocavam em xeque a viabilidade da Nextil».

Além disso, no último trimestre de 2023 e primeiro trimestre de 2024, o grupo realizou um processo de simplificação da sua estrutura operacional e societária mais adaptada à nova estratégia que está a ser implementada, o que resultará numa redução drástica dos custos gerais.