Next cautelosa para as festas

A retalhista britânica prevê uma evolução mais moderada do consumo no mercado britânico até ao Natal, perante a pressão da inflação, dos custos energéticos e das taxas de juro, apesar do crescimento das vendas e do lucro no primeiro semestre.

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Em declarações à Bloomberg, Simon Wolfson, CEO da Next, releva que a retalhista moderou as «expectativas para toda a temporada, incluindo o Natal. Em última análise, é provável que a pressão inflacionista se traduza em pressão sobre o consumidor». A Next considera que a inflação, as taxas de juro mais elevadas e um mercado de trabalho fraco poderão afetar o comportamento dos consumidores britânicos. Ainda assim, prevê que a redução da despesa seja gradual e constante, em vez de «uma queda abrupta».

Segundo o CEO, trata-se de «uma combinação de pressões inflacionistas que atravessam a economia, particularmente na energia como resultado da guerra, à medida que avançamos para o segundo semestre». Assim, a Next salienta que se prepara para um outono e inverno «mais modestos», depois de um verão quente, que incluiu o Campeonato do Mundo de Futebol, «que impulsionou o aumento das vendas online».

Simon Wolfson alerta ainda para o impacto de eventuais aumentos de impostos sobre o investimento no Reino Unido. «Se os impostos sobre o investimento aumentarem, teremos menos investimento no Reino Unido e, se tivermos menos investimento, teremos menos crescimento», sublinha o CEO da Next.

Resultados e previsões em alta

Entre fevereiro e julho, as vendas da Next a preço integral, que excluem saldos e promoções, cresceram 7,7%, enquanto o total de vendas avançou 8,9%, para 3,54 mil milhões de libras (aproximadamente 4,12 mil milhões de euros). O lucro antes de impostos fixou-se em 569 milhões de libras, o que representa um aumento de 10,5% face ao primeiro semestre de 2025, enquanto o lucro após impostos somou 427 milhões de libras, aumentando 10,4%. «O primeiro semestre foi muito melhor do que inicialmente esperávamos, tanto no Reino Unido como no estrangeiro», refere a Next em comunicado.

No mercado britânico, a marca Next registou uma quebra de sete milhões de libras, refletindo uma descida de 0,5%, penalizada pela redução das vendas nas lojas físicas, que a subida do canal online não compensou totalmente. A retalhista britânica atribui parte desta descida ao desaparecimento do efeito extraordinário do ano anterior, quando a Next «beneficiou da perturbação de um dos seus principais concorrentes» – a Marks & Spencer foi afetada por um ataque informático – e o próprio «crescimento das outras marcas do grupo, que terá tido algum impacto negativo nas vendas» da insígnia principal.

Já as marcas próprias e licenças tiveram um desempenho positivo, com um crescimento de 32% no canal online no Reino Unido e de 82% nos mercados internacionais, passando a representar 9% do total das vendas a preço integral da retalhista.

O negócio internacional direto ao consumidor cresceu 24% no semestre, um resultado que a empresa classifica como «surpreendente», tendo em conta «as perturbações registadas no Médio Oriente no primeiro trimestre».

Geograficamente, as vendas do canal online na Europa somaram 433 milhões de libras, assinalando uma subida de 28% e no Médio Oriente as vendas cresceram 14%, para 187 milhões de libras. Nos EUA, mercado ainda residual para a retalhista britânica, as vendas dispararam 255%, para 18 milhões de libras, enquanto no resto do mundo, o crescimento foi de 3%, para 53 milhões de libras.

Com base no desempenho do primeiro semestre, a Next reviu em alta a previsão para o ano fiscal completo, até janeiro de 2027. Assim, a estimativa de lucro antes de impostos subiu 12 milhões de libras, para cerca de 1,26 mil milhões de libras, antecipando um crescimento de 8,4% face ao exercício anterior. A Next elevou também a previsão de vendas online internacionais para o ano completo, de 16,5% para 20,5% de crescimento, ao mesmo tempo que moderou a previsão de crescimento das vendas no Reino Unido, de 2,8% para 2%.